Valeixo disse que pediu demissão, afirma Carla Zambelli

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Valeixo disse que pediu demissão, afirma Carla Zambelli

Deputada depôs nesta quarta-feira , 13, na sede da Polícia Federal em Brasília no âmbito do inquérito Moro contra Bolsonaro; Zambelli diz que ouviu do então Diretor-Geral da corporação, em conversa pelo Whatsapp no dia 23 de abril, que havia pedido exoneração do cargo

Fausto Macedo e Rayssa Motta

13 de maio de 2020 | 20h20

Deputada Carla Zambelli e ex-DIretor Geral da PF Maurício Valeixo. Fotos: Dida Sampaio e Denis Ferreira Netto/ Estadão

Em depoimento prestado à Polícia Federal nesta quarta-feira, 13, no âmbito do inquérito que apura suposta interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal, a deputada federal Carla Zambelli (PSL) afirmou que ouviu do ex-Diretor-Geral da corporação, Maurício Valeixo, que ele havia pedido demissão. Segundo a deputada, o delegado não revelou o motivo do suposto pedido de demissão e afirmou que o então ministro Sérgio Moro não havia aceito. A informação teria sido obtida em ligação pelo Whatsapp no dia 23 de abril. A deputada afirmou ainda que, minutos antes de renunciar ao cargo de Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro teria dito a ela que permaneceria no governo caso Valeixo não fosse exonerado.

A versão da deputada contraria o que disse Sérgio Moro. O ex-ministro chegou a afirmar que, embora no decreto de exoneração de Valeixo contasse que a demissão foi ‘a pedido’, o ex-diretor-geral não havia pedido para sair do cargo.

A parlamentar também disse aos investigadores, na sede da Polícia Federal em Brasília, acreditar que o presidente Jair Bolsonaro não confiava no ex-diretor da PF porque o então ministro Sergio Moro era “desarmamentista”. Segundo a deputada, Moro e o presidente Jair Bolsonaro haviam tido “algo recente” sobre esse tema.

Questionada sobre a troca de mensagens tornada pública por Moro no dia de sua demissão, que motivou os investigadores a chamarem a deputada a depôr, Zambelli disse que “como ativista, chegou a trabalhar junto ao então presidente Temer na indicação de Ives Gandra Martins Filho à vaga do STF do Ministro Teori” e que, por isso, achava que poderia “trabalhar junto ao presidente Jair Bolsonaro” para que Sérgio Moro fosse o substituto do ministro Celso de Mello. O decano se aposenta do Supremo Tribunal Federal (STF) no fim deste ano.

Ainda sobre a tentativa de emplacar Moro no STF, a deputada afirmou que não chegou a conversar com Bolsonaro, ou interlocutores do presidente, sobre a proposta feita a Moro. Zambelli disse que as mensagens foram uma tentativa de aproximar o então ministro do presidente Jair Bolsonaro e nada tiveram a ver com uma suposta tentativa de interferência do chefe do Executivo na Polícia Federal.

 

 

 

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