Bolsonaro citou a Moro investigação contra aliados para pedir troca de Valeixo

Bolsonaro citou a Moro investigação contra aliados para pedir troca de Valeixo

Na imagem do diálogo, Bolsonaro envia a Moro o link de uma notícia do portal O Antagonista, com a manchete: PF na cola de 10 a 12 deputados bolsonaristas. "Mais um motivo para a troca", diz o presidente; imagens foram obtidas pelo Jornal Nacional e confirmadas pelo Estado

Fausto Macedo, Andreza Matais, Rafael Moraes Moura, Thiago Faria e Luiz Vassallo

24 de abril de 2020 | 21h23

O presidente Jair Bolsonaro citou uma investigação contra deputados aliados ao pedir a troca do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, em mensagem, por WhatsApp, ao ex-ministro da Justiça Sérgio Moro. As imagens foram reveladas pelo Jornal Nacional, da TV Globo, e confirmadas pelo Estado

Na imagem do diálogo, Bolsonaro envia a Moro o link de uma notícia do portal O Antagonista, com a manchete: PF na cola de 10 a 12 deputados bolsonaristas. “Mais um motivo para a troca”, diz o presidente. A matéria faz referência ao inquérito das fake news, conduzido no Supremo Tribunal Federal.

Em seguida, Moro explica ao presidente que as diligências foram determinadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

“Este inquérito eh conduzido pelo ministro Alexandre no STF, diligências por ele determinadas, quebras por ele determinadas, buscas por ele determinadas. Conversamos 0900”, diz Moro, em referência à reunião que teria no dia seguinte com Bolsonaro.

Moro também exibiu uma conversa com a deputada federal Carla Zambelli, em que ela pede para que o ministro aceite uma vaga no STF em setembro, e também a troca na PF, pelo diretor da Abin. “Va em setembro para o STF. Eu me comprometo a ajudar. A fazer o JB prometer”.

“Prezada, não estou à venda”, responde Moro.

“Ministro, por favor… milhões de brasileiros vão se desfazer”, diz Zambelli.

A imagem foi usada por Moro para rebater a acusação de Bolsonaro de que ele teria pedido uma vaga no STF ao presidente, em troca de aceitar a demissão de Valeixo.

O Estado antecipou que ambos tiveram inúmeras conversas, pessoais e de governo, especialmente pelo WhatsApp, canal usado pelo presidente para dar ordens aos subordinados, e que essas conversas estavam entre as provas das acusações de Moro, às quais o Estado também teve acesso.   

Moro tem uma experiência de 22 anos na função de juiz criminal e sabe, como poucos, que não se acusa alguém sem provas concretas. Pelo menos sete crimes que Bolsonaro teria cometido foram apontados pelo ex-ministro no pronunciamento que fez nesta sexta-feira.

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