Temer em silêncio

Temer em silêncio

Ex-presidente preso na Operação Descontaminação por suspeita de liderar organização criminosa por mais de 40 anos permaneceu calado nesta sexta-feira, 22, quando questionado pela Polícia Federal

Luiz Vassallo/SÃO PAULO e Roberta Jansen/RIO

22 de março de 2019 | 16h56

Michel Temer. Foto: Werther Santana/Estadão

O ex-presidente Michel Temer (MDB) se reservou ao direito de ficar em silêncio em depoimento à Polícia Federal nesta sexta, 22. O emedebista está preso desde o dia anterior, na sede da PF do Rio, no âmbito da Operação Descontaminação, braço da Lava Jato no Estado. O desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, Antonio Ivan Athié, determinou a inclusão do pedido liminar de liberdade do ex-presidente na pauta da quarta-feira, 27.

Temer ainda pediu para que fosse consignado no termo de audiência na Polícia Federal, nesta sexta, 22, que considera a investigação que o prendeu um ‘rematado absurdo’.

O amigo de Temer, Coronel Lima, seguiu a mesma estratégia e ficou em silêncio.

Já o ex-ministro Moreira Franco (Minas e Energia) não escolheu o silêncio como estratégia de defesa. Ele respondeu às perguntas da PF e, segundo seu advogado, Antonio Sérgio de Moraes Pitombo, ‘evidenciou ponto a ponto como as conjecturas são absurdas’.

A investigação que levou Temer à prisão preventiva mira supostas propinas de R$ 1 milhão da Engevix. Também foram detidos preventivamente o ex-ministro Moreira Franco (MDB), e seu amigo João Baptista Lima Filho, o Coronel Lima. Tiveram a prisão decretada ainda outros 8 sob suspeita de intermediar as vantagens indevidas ao ex-presidente.

Esta não é a primeira vez que o emedebista silencia diante das autoridades em investigações. Ele se recusou a responder várias indagações da Polícia Federal em duas investigações alegando ora, ‘hostilidade’ da autoridade policial, ora ‘descabimento’ das questões abordadas. O ex-presidente foi inquirido a prestar esclarecimentos no inquérito dos Portos, que resultou em denúncia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e em investigação da Odebrecht em que a PF atribuiu a ele indícios de corrupção.

O Ministério Público Federal vai denunciar na semana que vem o ex-presidente Michel Temer por peculato,  corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo a procuradora Fabiana Schneider,  o ex-presidente chefiava uma organização criminosa que roubou dos cofres públicos por cerca de 40 anos.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO ANTONIO SERGIO MORAES PITOMBO, QUE DEFENDE MOREIRA FRANCO

Wellington Moreira Franco prestou depoimento e refutou, ponto a ponto, as conjecturas e presunções usadas pelos Procuradores. Se houver interesse pela verdade, o caso tomará outro rumo.

 

 

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