Promotoria denuncia Ricardo Coutinho em esquema de dossiês e R$ 200 mil a auditor do TCE

Promotoria denuncia Ricardo Coutinho em esquema de dossiês e R$ 200 mil a auditor do TCE

Ex-governador e outros seis são denunciados por supostos desvios que teriam abastecido os bolsos do auditor Richard Euler Dantas de Souza e a confecção de relatórios de contrainteligência sobre a Corte de Contas

Luiz Vassallo

11 de março de 2020 | 06h00

Ricardo Coutinho, ex-governador da Paraíba, é apontado como líder de organização criminosa que desviou mais de R$ 134 mi da Saúde. Foto: José Cruz/Agência Brasil

O Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (GAECO) da Promotoria da Paraíba denunciou o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) e outros seis por um suposto esquema de desvios que teria rendido R$ 200 mil em propinas a um auditor do Tribunal de Contas do Estado para abrandar fiscalizações e multas em auditorias sobre contratos do Estado.

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Coutinho chegou a ser preso no dia 20 de dezembro na Operação Calvário, que mira desvios de até R$ 134,2 milhões da Saúde em sua gestão. Por ordem do ministro Napoleão Maia, do Superior Tribunal de Justiça, foi solto no dia seguinte. O ex-governador já é denunciado, em outra ação, por liderar uma suposta organização criminosa que operou os esquemas de corrupção no Estado.

Nesta terça, 10, o irmão do ex-governador, Coriolano Coutinho, foi alvo de buscas por suposta lavagem de dinheiro dos esquemas da saúde com o uso de uma lotérica. 

Nesta denúncia, a promotoria afirma que o auditor Richard Euler Dantas de Souza, acusado de corrupção passiva, recebeu R$ 200 mil de Ricardo Elias Restum Antônio, intermediário do lobista Daniel Gomes da Silva, que teria agido a mando do ex-governador, e de seus secretários Waldson de Souza, Gilberto Carneiro e Livânia Farias. Em troca, ele teria arrefecido auditorias sobre contratos do Hospital de Emergência e Trauma Senador Lucena, em 2014.

Os esquemas de desvios na Saúde, segundo a Promotoria, também teriam abastecido a compra de dossiês sobre o auditor. De acordo com o Ministério Público Estadual, Richard Euler endurecia as fiscalizações para pressionar o governo a pagar propinas. Ele e a gestão Coutinho teriam se entendido, o que resultou nos repasses.

 

 

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