‘Postal Off’ da PF identifica propinas e negociação de cargos por R$ 250 mil/mês nos Correios

‘Postal Off’ da PF identifica propinas e negociação de cargos por R$ 250 mil/mês nos Correios

Operação deflagrada na manhã desta sexta, 6, cumpriu 12 mandados de prisão, inclusive do ex-deputado Índio da Costa, e 25 ordens de busca e apreensão para desarticular grupo responsável por esquema de fraudes que causou prejuízo de ao menos R$ 13 milhões aos Correios

Pepita Ortega

06 de setembro de 2019 | 14h03

Foto: Hélvio Romero/Estadão

O grupo sob investigação por esquema de fraudes de ao menos R$ 13 milhões nos Correios, alvo da Operação Postal Off, negociava cargos na empresa por até R$ 250 mil por mês, aponta o delegado Christian Luz Barth, da Polícia Federal em Santa Catarina. Barth informou que o grupo ‘teve lucro astronômico’.

A ‘Postal Off’, deflagrada na manhã desta sexta, 6, cumpriu 12 mandados de prisão e 25 ordens de busca e apreensão em três Estados – Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais..

Entre os alvos das ordens de prisão estão o ex-deputado Indio da Costa, ex-vice na chapa de José Serra à Presidência, em 2010, e o superintendente estadual de Operações dos Correios no Rio, Cléber Isaías Machado.

A Justiça Federal em Florianópolis, base da Postal Off, ordenou o bloqueio de R$ 40 milhões de todos os investigados, incluindo dinheiro em contas e bens como um iate de R$ 3 milhões.

Segundo a PF, a investigação envolve empresários e funcionários do alto-escalão dos Correios.
A apuração teve início em Santa Catarina em novembro de 2018 e identificou ainda solicitações e pagamentos de vantagens indevidas envolvendo empresários, funcionários públicos e agentes políticos, ‘configurando indícios de corrupção passiva e concussão’, diz a PF.

O delegado Christian Luz Barth, indicou que os funcionários dos Correios envolvidos no esquema atuavam avisando o grupo criminoso sobre as fiscalizações da empresa.

Os investigados ainda participavam de reuniões com clientes dos Correios para propor que os mesmos rompessem seus contratos com a empresa pública e passassem a ter suas encomendas postadas por companhias do grupo criminoso.

A Polícia Federal sinalizou ainda que tais empresas comandadas pelo grupo eram empresas laranjas, que, quando identificadas pela fiscalização dos Correios, eram abandonadas.

A quadrilha também atuava fazendo com que grandes cargas postais dos clientes dos Correios fossem distribuídas sem faturamento algum ou com faturamento muito inferior ao real.

“Eles tinham um lucro astronômico. Eles ganhavam das empresas que pagavam para eles fazerem o serviços e só tinham o custo de impressão e postagem.”

Dados preliminares da PF apontam que o esquema do grupo criminoso causou prejuízo ao menos R$ 13 milhões. O valor se refere apenas às postagens ilícitas já identificadas. “A PF estima que os valores vão subir muito”, indicou Barth.

COM A PALAVRA, OS CORREIOS

“Com relação aos mandados cumpridos pela Polícia Federal na manhã desta sexta-feira (6), em São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Minas Gerais, os Correios informam que estão colaborando plenamente com as autoridades. A empresa permanecerá contribuindo com as investigações para a apuração dos fatos. Os Correios reafirmam o seu compromisso com a ética, a integridade e a transparência.”

COM A PALAVRA, INDIO DA COSTA

A reportagem tenta contato com a defesa do ex-deputado. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, CLÉBER ISAIAS MACHADO

A reportagem tenta contato com a defesa do superintendente de Operações dos Correios no Rio. O espaço está aberto para manifestação.

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