PF prende Indio da Costa na operação Postal Off

PF prende Indio da Costa na operação Postal Off

Ex-deputado e ex-candidato a vice na chapa de Serra em 2010 é alvo da investigação sobre rombo de R$ 13 milhões nos Correios

Pepita Ortega e Fausto Macedo

06 de setembro de 2019 | 12h44

Indio da Costa. Foto: Nilton Fukuda / Estadão

Polícia Federal prendeu no Rio nesta sexta, 6, no âmbito da Operação Postal Off, o ex-deputado Indio da Costa. Ele é alvo de investigação sobre um esquema de fraudes que causou prejuízo de R$ 13 milhões aos Correios. Indio da Costa já foi candidato ao governo fluminense e à prefeitura da Rio e concorreu à vice-presidência de José Serra em 2010.

Cerca de 110 policiais federais cumpriram 12 mandados de prisão e 25 ordens de busca e apreensão em três Estados – Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.

Na capital fluminense, foram cumpridos 28 mandados judiciais – nove de prisão preventiva e 19 de busca e apreensão. O superintendente estadual de Operações dos Correios, Cléber Isaías Machado, também foi capturado na ação.

Já na capital mineira os agentes realizaram buscas em um endereço ligado aos investigados e cumpriram uma ordem de prisão temporária.

No Estado de São Paulo a ação foi realizada nos municípios de Tamboré, Cotia, Bauru e São Caetano, com cumprimento de cinco buscas e dois mandados de prisão preventiva. As ordens foram expedidas pela 7ª Vara Federal de Florianópolis.

A Justiça determinou ainda o bloqueio de R$ 40 milhões das contas e bens dos investigados, incluídos carros de luxo e duas embarcações – uma delas um iate avaliado em R$ 3 milhões.

Em coletiva, o delegado Christian Luz Barth, da Polícia Federal em Santa Catarina, apontou que entre os investigados estavam empresários, funcionários do alto-escalão dos Correios ‘e um elemento político’.

Barth explicou o esquema. “As grandes empresas que necessitam desse serviço de postagem – entrega de faturas, documentos em geral – têm um volume muito grande de correspondências. Elas precisam de empresas que façam a produção, a preparação de postagem e entrega no Correio, para que entre no fluxo postal”, disse. “Eles tinham várias formas de burlar, às vezes com a ajuda de funcionários dos Correios, e colocavam no fluxo postal sem pagamento.”

A investigação teve início em Santa Catarina em novembro de 2018 e apurou que um grupo criminoso que contava com a participação de funcionários dos Correios fazia com que grandes cargas postais dos clientes da empresa fossem distribuídas no fluxo postal sem faturamento ou com faturamento muito inferior ao real.

De acordo com a PF, um dos principais modos de atuação do grupo era identificar e procurar grandes clientes dos Correios para fazer uma oferta: que eles rompessem seus contratos com a empresa pública e passassem a ter suas encomendas postadas pelas empresas do grupo criminoso.

A investigação identificou ainda solicitações e pagamentos de vantagens indevidas envolvendo empresários, funcionários públicos e agentes políticos, configurando indícios de corrupção passiva e concussão.

Segundo a PF, os investigados poderão ser indiciados por corrupção passiva e ativa, concussão, estelionato, crimes tributários, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.

COM A PALAVRA, INDIO DA COSTA

A reportagem tenta contato com a defesa do ex-deputado. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, CLÉBER ISAIAS MACHADO

A reportagem tenta contato com a defesa do superintendente. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, OS CORREIOS

“Com relação aos mandados cumpridos pela Polícia Federal na manhã desta sexta-feira (6), em São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Minas Gerais, os Correios informam que estão colaborando plenamente com as autoridades. A empresa permanecerá contribuindo com as investigações para a apuração dos fatos. Os Correios reafirmam o seu compromisso com a ética, a integridade e a transparência.”

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