PGR diz que Lava Jato é alvo de investigação na Corregedoria por ‘dificuldades’ de acesso a seu banco de dados

PGR diz que Lava Jato é alvo de investigação na Corregedoria por ‘dificuldades’ de acesso a seu banco de dados

Ministério Público Federal informou, por meio de nota, que procedimento interno foi motivado por 'estranheza' diante de obstáculos encontrados por autoridades superiores na obtenção de informações sobre inquéritos conduzidos pela força-tarefa

Rayssa Motta

29 de julho de 2020 | 19h47

O Ministério Público Federal (MPF) informou nesta quarta-feira, 29, que existe uma investigação sigilosa em curso na Corregedoria da instituição para apurar ‘dificuldades’ encontradas no acesso ao banco de dados da Operação Lava Jato.

No final do mês passado, o procurador-geral da República, Augusto Aras, determinou diligência para o compartilhamento de informações das força-tarefa no Paraná, em São Paulo e no Rio.

Em nota divulgada no site do MPF, a Procuradoria disse que o pedido ‘correu nos trâmites normais’, mas que as ‘dificuldades encontradas pela administração superior para acessar informações que poderiam subsidiar investigações relevantes em andamento em outras unidades causou estranheza’.

“A apuração dos fatos jogará luz e dará transparência aos procedimentos internos do Ministério Público Federal”, diz o texto.

O procurador-geral da República, Augusto Aras. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

A manifestação segue uma série de ataques trocados entre a cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Operação Lava Jato. O estopim da crise interna no MPF veio nesta terça, 28, quando Aras levantou suspeitas sobre o volume do banco dados conservado pela operação e sobre os critérios usados para obtê-los e chegou a dizer que é necessário corrigir desvios e superar o ‘lavajatismo’.

“Estamos falando da transparência que estamos a promover. Todo o Ministério Público Federal, no seu sistema único, tem 40 terabytes. Curitiba tem 350 terabytes e 38 mil pessoas lá com seus dados depositados. Ninguém sabe como foram escolhidos, quais os critérios”, disse o chefe do MPF em transmissão ao vivo na noite de ontem.

Em contraofensiva, a Associação Nacional dos Procuradores da República e as forças-tarefa em Curitiba e São Paulo divulgaram notas de repúdio para rebater as declarações de Aras, classificadas como ‘genéricas’ e ‘infundadas’.

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DO MPF

“As informações genéricas prestadas pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, na noite de terça-feira (28) em videoconferência do grupo de juristas “Prerrogativas” são objeto de investigação que corre em sigilo na Corregedoria do Ministério Público Federal. O compartilhamento de informações da Lava Jato com as instâncias superiores da instituição foi solicitado oficialmente e correu nos trâmites normais. As dificuldades encontradas pela administração superior para acessar informações que poderiam subsidiar investigações relevantes em andamento em outras unidades causou estranheza. A apuração dos fatos jogará luz e dará transparência aos procedimentos internos do Ministério Público Federal.”

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