PF diz que diálogos hackeados serão ‘preservados, porque são privados’

PF diz que diálogos hackeados serão ‘preservados, porque são privados’

Em nota, Polícia Federal alerta que escopo do inquérito da Operação Spoofing não é o conteúdo das mensagens capturadas por grupo de hackers que atingiu centenas

Luiz Vassallo e Fausto Macedo

25 de julho de 2019 | 19h59

Ministro da Justiça, Sérgio Moro. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

A Polícia Federal afirmou, nesta quinta, 25, que ‘as investigações que culminaram com a deflagração da Operação Spoofing não têm como objeto a análise das mensagens supostamente subtraídas de celulares invadidos’.

“O conteúdo de quaisquer mensagens que venham a ser localizadas no material apreendido será preservado, pois faz parte de diálogos privados, obtidos por meio ilegal”, diz.

“Caberá à justiça, em momento oportuno, definir o destino do material, sendo a destruição uma das opções”, afirma.

A interlocutores, o ministro da Justiça tem defendido que o material não seja submetido à análise dos investigadores para que não haja nova violação de intimidade dos alvos dos hackers.

Sérgio Moro também tem ponderado a pessoas próximas que o destino do conteúdo depende da análise de um juiz responsável pela investigação – no caso, Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara Federal, que decretou a prisão de 4 suspeitos de envolvimento com os ataques.

Reação no Supremo

Após o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, informar a pelo menos um dos alvos do suposto grupo hacker que o material particular obtido seria descartado, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que uma eventual destruição deve ser analisada pelo poder Judiciário, e não por um órgão administrativo.

“Isso aí é prova de qualquer forma. Tem que marchar com muita cautela. O ideal seria ter o crivo realmente de um órgão do Judiciário. E não simplesmente decidir no campo admistrativo que poderá haver destruição de provas”, disse o ministro ao Broadcast Político.

PGR

O vice-procurador-geral da República, Luciano Mariz Maia, disse, na noite desta quinta-feira, 25, à Coluna do Estadão que “quem decide o futuro das provas é o Judiciário”.

Comunicado

Mais cedo, nesta quinta, 25, o ministro do Superior Tribunal de Justiça, João Otávio de Noronha, afirmou que ‘o ministro Moro informou durante a ligação que o material obtido vai ser descartado para não devassar a intimidade de ninguém’.

“As investigações sobre o caso são de responsabilidade da Polícia Federal, a quem cabe responder sobre o caso”, diz.​

O ministro ainda disse. “O ministro do STJ disse que está tranquilo porque não tem nada a esconder e que pouco utilizava o Telegram”.

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