‘Moro deve sair. Bolsonaro não é correto, não tem palavra’, diz ex-decano da Lava Jato

‘Moro deve sair. Bolsonaro não é correto, não tem palavra’, diz ex-decano da Lava Jato

O procurador aposentado Carlos Fernando Lima afirma que Bolsonaro deixou ministro sem apoio no Congresso e 'nunca foi real apoiador do combate à corrupção', em seu perfil de rede social

Ricardo Brandt e Fausto Macedo

23 de abril de 2020 | 16h20

Carlos Fernando do Santos Lima. Foto: Rodolfo Buhrer/Estadão

“Moro deve sair. Bolsonaro não é correto, não tem palavra.” O ex-decano da força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba, Carlos Fernando dos Santos Lima saiu em defesa do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e atacou o presidente, Jair Bolsonaro, em post publicado em seu perfil de rede social na internet, nesta quinta-feira, 23, logo após notícia sobre a possível interferência na troca no comando da Polícia Federal.

O ministro e ex-juiz da Lava Jato, em Curitiba avisou a que deixará o governo caso o presidente imponha um novo nome para comandar a PF, atualmente ocupada por Maurício Valeixo. O Estado apurou que o ministro não aceita que essa troca venha de “cima para baixo”, e defende o direito de fazer a escolha.

A saída de Valeixo do cargo de diretor-geral da corporação já estava sendo tratada por Moro, que tentava encontrar um nome de sua confiança para o cargo. Bolsonaro, no entanto, avisou que nomearia um substituto. É a segunda vez que o presidente ameaça trocar a cúpula do órgão.

Carlos Lima, que foi procurador da Lava Jato e conhece Moro de longa data – ele foi também da equipe do Caso Banestado, julgado por Moro -, afirmou que Bolsonaro nunca foi “real apoiador do combate à corrupção”.

“Moro deve sair. Bolsonaro não é correto, não tem palavra, deixou o ministro sem qualquer apoio no Congresso tanto nas medidas contra a corrupção quanto durante o episódio criminoso da Intercept, e nunca foi um real apoiador do combate à corrupção”, escreveu Carlos Lima.

Desde o ano passado, Carlos Lima acusa as tentativas de Bolsonaro de tentar ‘subordinar’ a PF e o Ministério Público Federal para salvar “os seus”. Aposentado desde 2019, ele virou consultor de compliance e especialista em combate à corrupção – atuou quase 30 anos como procurador.

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