‘Ministros do Supremo soltam e ressoltam corruptos poderosos’

‘Ministros do Supremo soltam e ressoltam corruptos poderosos’

Procurador da força-tarefa da Lava Jato Deltan Dallagnol criticou a possibilidade do Supremo rever decisão em que a Corte admitiu que condenados em segunda instância comecem a cumprir pena

Da Redação

24 de outubro de 2017 | 12h16

Deltan Dallagnol. Foto: Felipe Rau/Estadão

O procurador da força-tarefa da Operação Lava Jato Deltan Dallagnol afirmou, nesta terça-feira, 24, que Supremo Tribunal Federal ‘solta’ e ‘ressolta’ ‘corruptos e poderosos’. Ele participou do Fórum Mãos Limpas & Lava Jato, promovido pelo Estadão e pelo Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP).

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Deltan afirmou que ‘é possível que continue a existir lavagem de dinheiro em grandes proporções pelos meios tradicionais’.

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Ele criticou a possibilidade de revisão, por ministros do Supremo Tribunal Federal, de decisão em que a Corte admitiu que condenados em segunda instância comecem a cumprir pena.

“O dinheiro continua circulando em malas anos depois do início da Lava Jato. Regras são gestadas no Congresso Nacional para beneficiar políticos. Ministros do Supremo soltam e ressoltam corruptos poderosos. Regras estão sendo gestadas no Supremo Tribunal Federal que implicarão enormes retrocessos na luta contra a corrupção.”

Em julgamento realizado em 2016, o Supremo admitiu a execução da pena antes de se esgotarem todos os recursos possíveis aos condenados. No entanto, ministros do Supremo têm feito afirmações no sentido de rever a decisão. Em manifestação recente à Corte, a Advocacia-Geral da União (AGU) argumentou que a pena somente deve ser executada depois de esgotados todos os recursos da defesa, o chamado trânsito em julgado.

Em meio ao debate, o juiz federal Sérgio Moro disse achar ‘prematuro afirmar que o Supremo pode mudar a questão da prisão em segunda instância’.“Alguns ministros podem mudar de opinião… mas acho que existe uma expectativa da sociedade, da imprensa, de que isso não mude. E não tem nada a ver com Lava Jato”, afirmou.

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