Lava Jato ‘não se opõe’ a devolver passaporte da filha de Cunha

Lava Jato ‘não se opõe’ a devolver passaporte da filha de Cunha

Danielle Dytz da Cunha Doctorovich pediu documento de volta ao juiz federal Sérgio Moro para viajar ao exterior

Julia Affonso e Ricardo Brandt

10 Agosto 2017 | 05h00

Eduardo Cunha, Danielle e Claudia. Foto: Reprodução

A força-tarefa do Ministério Público Federal em Curitiba informou o juiz federal Sérgio Moro que ‘não se opõe’ à devolução do passaporte para a filha do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Danielle Dytz da Cunha Doctorovich é investigada na Operação Lava Jato.

Documento

“O Ministério Público Federal, por intermédio dos procuradores da República signatários, vem informar que não se opõe ao pedido de devolução do passaporte de Danielle Dytz da Cunha Doctorovich”, afirmou a força-tarefa da Lava Jato.

O documento está retido na 13.ª Vara Federal de Curitiba. Em 17 de julho, a filha de Eduardo Cunha pediu a Moro a devolução de seus passaportes para ir ao exterior.

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A defesa relatou a Moro que a investigação contra Danielle foi desmembrada de um inquérito que corria no Supremo Tribunal Federal (STF) por ordem do então ministro Teori Zavascki em 11 de março de 2016, ‘a fim de que fosse dado prosseguimento a investigação de condutas atribuídas à peticionária e à sua madrasta, Cláudia Cordeiro Cruz’.

“Esclareça-se que o inquérito em questão foi instaurado contra a peticionária apenas em razão de ter ela figurado como dependente em cartão de crédito vinculado a conta estrangeira titularizada por sua madrasta”, afirmou a defesa.

Cláudia, a madrasta, foi denunciada pelo Ministério Público Federal pelos crimes de lavagem de dinheiro e evasão fraudulenta de divisas, mas acabou absolvida por Moro.

Eduardo Cunha foi preso desde outubro de 2016 e já condenado por Moro a 15 anos e quatro meses de reclusão por crimes de corrupção, de lavagem e de evasão fraudulenta de divisas.

O magistrado apontou ‘falta de prova suficiente de que (Cláudia Cruz) agiu com dolo’ ao manter conta na Suíça com mais de US$ 1 milhão, dinheiro supostamente oriundo de propina recebida pelo marido.

A defesa de Danielle narrou a Moro que em 22 de março de 2016, ‘a fim de demonstrar a este Juízo sua disposição de atender a todo e qualquer chamamento das autoridades responsáveis pela persecução penal, apresentou a este Juízo seus passaportes (brasileiro e italiano), que restaram acautelados nesta serventia’.

“A peticionária, de fato, prestou esclarecimentos na Procuradoria da República do Paraná, não tendo sido denunciada pelo Ministério Público Federal”, afirmou.

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