Juristas e 1,4 mil alunos das Arcadas da Sanfran invocam ‘botão do pânico’ e pedem a Maia que destrave impeachment de Bolsonaro

Juristas e 1,4 mil alunos das Arcadas da Sanfran invocam ‘botão do pânico’ e pedem a Maia que destrave impeachment de Bolsonaro

Manifesto do Direito-USP pede que presidente da Câmara dos Deputados dê início ao processo de cassação do mandato do presidente pela condução da pandemia do novo coronavírus

Rayssa Motta e Fausto Macedo

23 de janeiro de 2021 | 06h00

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), recebeu mais um apelo para desengavetar os pedidos de impeachment contra presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Desta vez, a pressão vem dos alunos e ex-alunos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

Documento

O corpo discente da faculdade, ao abrigo das célebres Arcadas do Largo São Francisco – onde, em 1977, no auge da repressão militar, Goffredo da Silva Telles leu a Carta aos Brasileiros contra a ditadura –, organizou ao longo da última semana um abaixo-assinado online em defesa da cassação do mandato de Bolsonaro.

Sem máscara, Bolsonaro nada com banhistas e gera aglomeração em Praia Grande Foto: Reprodução/Twitter

Com 1.450 assinaturas, o documento critica, sobretudo, a condução da pandemia da covid-19, mas lembra também ataques ao Judiciário e à imprensa.

“Se é dever democrático aguardar a próxima rodada eleitoral para cobrar a responsabilidade política de maus gestores, a Constituição nos confere um botão de pânico quando o risco de continuidade de um mau mandato coloca em xeque o funcionamento do próprio Estado e a vida dos nossos cidadãos. É o que, infelizmente, temos vivido em especial nesses últimos 12 meses”, diz um trecho do texto encaminhado na quarta-feira, 20.

A Faculdade de Direito da USP no Largo São Francisco. Foto: Nilton Fukuda / Estadão

Entre os nomes que endossam o pedido, estão renomados juristas que passaram pela instituição, incluindo Dora Cavalcanti, Igor Tamasauskas, Pierpaolo Bottini, Aloísio Lacerda Medeiros e os professores da casa Sebastião Tojal e Helena Lobo.

Na semana passada, Maia afirmou que o impeachment de Bolsonaro é um tema que será debatido ‘de forma inevitável’ pelo Congresso no futuro. Em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, o presidente da Câmara voltou, entretanto, a repetir o discurso de que o mais urgente é discutir o combate à pandemia. Mais de 50 pedidos de impeachment se acumulam na Câmara desde o início do mandato de Bolsonaro, em janeiro de 2019.

 

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