Juiz manda Eduardo e Carlos Bolsonaro excluírem mensagens que associam Jean Wyllys a esfaqueador do presidente

Juiz manda Eduardo e Carlos Bolsonaro excluírem mensagens que associam Jean Wyllys a esfaqueador do presidente

Filhos do presidente republicaram acusações feitas pelo ativista Luciano Mergulhador, que perante à Polícia Federal não sustentou a versão; inquéritos também concluíram que Adélio Bispo agiu sozinho em crime sem mandantes, versão aceita pelo Planalto

Paulo Roberto Netto

03 de junho de 2020 | 20h47

O juiz Diogo Barros Boechat, do 5º Juizado Especial Civil do Rio de Janeiro, mandou o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) excluírem publicações que associavam o ex-deputado federal Jean Wyllys (PSOL) ao esfaqueador do presidente Jair Bolsonaro, Adélio Bispo.

As mensagens republicavam acusações feitas pelo ativista Luciano Carvalho de Sá, conhecido como Luciano Mergulhador, ao blogueiro Oswaldo Eustáquio em abril deste ano. Ele disse que o ex-deputado do PSOL foi mencionado por Adélio em uma conversa durante a greve dos caminhoneiros, em 2017, quando posou para uma foto com o esfaqueador em Florianópolis. Procurado pela PF, Mergulhador não manteve a versão.

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Na verdade, o ativista indicou que não teve nenhum tipo de conversa com Adélio no momento da foto, conforme depoimento obtido pela reportagem do Estadão. Uma verificação feita pelo Estadão Verifica a partir da reportagem foi mencionada pelo juiz.

De acordo com o magistrado, ao espalhar a peça de desinformação, Carlos e Eduardo Bolsonaro queriam ‘alardear versão dos fatos na qual eles próprios acreditavam, com o fim de convencer a mais ampla audiência possível’.

“E o fizeram, segundo os elementos dos autos indicam, com o objetivo claro de eleger o autor como alvo de sua perseguição, constrangendo-o, ofendendo-o e comprometendo sua biografia e sua credibilidade, possivelmente por divergências político-ideológicas”, afirmou o juiz Boechat. “Não se cuida, pois, de desempenho do direito de informar, tampouco de exercício de livre expressão, ambas protegidas pela Constituição”.

O vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro. Foto: Dida Sampaio / Estadão

A versão de Mergulhador compartilhada pelos filhos do presidente não encontram respaldo em dois inquéritos da Polícia Federal sobre o caso Adélio, que concluíram que o esfaqueador agiu sozinho em um crime sem mandantes.

Os fatos foram levados ao presidente Jair Bolsonaro em reunião realizada em maio, com a presença do delegado responsável pelo caso Adélio, e o Planalto não questionou a conclusão e não pediu o aprofundamento das investigações.

Por conta disso, o juiz afirmou que a tentativa de Carlos e Eduardo Bolsonaro em ligar Jean Wyllys a Adélio Bispo ‘mostra-se inteiramente divorciada da realidade’ pois é destituída de ‘mínimo lastro factual’.

As acusações de Luciano Mergulhador divulgadas por Oswaldo Eustáquio motivaram outros processos de Wyllys contra bolsonaristas. O blogueiro também foi obrigado a excluir o material em decisão liminar da Justiça do Rio.

COM A PALAVRA, O VEREADOR CARLOS BOLSONARO
A reportagem entrou em contato, por e-mail, com o gabinete do vereador Carlos Bolsonaro. O espaço está aberto a manifestações (paulo.netto@estadao.com)

COM A PALAVRA, O DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO
A reportagem busca contato com o gabinete do deputado federal Eduardo Bolsonaro. O espaço está aberto a manifestações (paulo.netto@estadao.com)

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