Encontros de analista da Receita preso pela PF e delator da Lava Jato foram filmados; assista

Encontros de analista da Receita preso pela PF e delator da Lava Jato foram filmados; assista

Marcial Pereira de Souza, alvo da Operação Armadeira, se encontrou com Ricardo Siqueira Rodrigues, réu da Operação Rizoma, para cobrar propinar, afirma Ministério Público

Paulo Roberto Netto

03 de outubro de 2019 | 10h28

Captura de tela de filmagem de câmera de segurança de restaurante onde delator da Lava Jato se encontrou com analista da Receita.

Imagens do circuito interno de segurança de restaurantes no Rio de Janeiro captaram os encontros do analista tributário da Receita, Marcial Pereira de Souza, com Ricardo Siqueira Rodrigues, réu da Operação Rizoma, desdobramento da Lava Jato. Segundo acusação do Ministério Público, foi nestas ocasiões que o servidor cobrou propina do delator para suspender investigações no Fisco.

Marcial Pereira foi preso nesta quarta, 2, na Operação Armadeira, que mirou atuação de organização criminosa no seio da Receita Federal que extorquia investigados da Lava Jato.

As imagens mostram Marcial Pereira e Ricardo Rodrigues entrando juntos em um restaurante no Rio nos dias 5, 9 e 17 de novembro — à época, o analista havia acertado que o recebimento de 50 mil euros mensais para barrar fiscalização da Receita relativa a movimentações financeiras do delator realizadas entre 2009 e 2016.

O encontro do dia 9 de novembro, aliás, estava agendado para o dia anterior, mas foi remarcado após a deflagração da Operação Furna da Onça, que levou a Polícia Federal às portas da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro em ação contra corrupção, lavagem de dinheiro e loteamento de cargos. Por “temores em encontrar alguma autoridade” no aeroporto Santos Dumont, o almoço ficou para o dia seguinte.

Captura de tela de filmagem de câmera de segurança de restaurante onde delator da Lava Jato se encontrou com analista da Receita.

O Ministério Público acusa Marcial de integrar organização criminosa que escolhia alvos da Lava Jato, como investigados e delatores, para a prática de extorsão. Os servidores cobravam propinas em troca de suspensão e cancelamento de multas tributárias que seriam aplicadas pela Receita.

As ações de Marcial, que cobrou propina de Ricardo Rodrigues mesmo sem ter autoridade sobre seu processo na Receita, levaram os investigadores a se aprofundarem em possível esquema entre diversos servidores do Fisco. O principal alvo da ação foi o auditor-fiscal Marco Aurélio Canal, supervisor de programação da Receita Federal que tinha acesso a informações sensíveis da Operação Lava Jato.

COM A PALAVRA, O ANALISTA TRIBUTÁRIO MARCIAL PEREIRA DE OLIVEIRA
A reportagem busca contato com a defesa de Marcial Pereira de Oliveira. O espaço está aberto a manifestações.

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