Empreiteiro Léo Pinheiro se cala na Justiça

Ex-presidente da OAS e um dos principais elos da investigação sobre pagamentos ao PT, via ex-tesoureiro João Vaccari, apresentou sua versão por escrito, antes da audiência

Redação

08 de maio de 2015 | 14h50

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo

O ex-presidente da OAS José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro, preferiu permanecer em silêncio em interrogatório no primeiro processo criminal da Operação Lava Jato em que foi acusado por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa, no esquema que vigorou na Petrobrás entre 2004 e 2014.

“Por orientações dos meus advogados prefiro ficar em silêncio”, disse Léo Pinheiro diante do juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Lava Jato. O interrogatório do ex-presidente e de outros cinco executivos da empreiteira encerra a etapa de oitivas nessa ação penal, que deve ter sentença proferida a partir de junho.

O silêncio de Léo Pinheiro frustou investigadores que trabalhavam com a hipótese de que ele poderia fazer revelações importantes para a Lava Jato. Preso preventivamente no dia 14 de novembro de 2014, o número 1 da OAS no esquema de corrupção da Petrobrás conquistou o direito no Supremo Tribunal Federal (STF), há uma semana, de cumprir prisão em casa, embora monitorado com tornozeleira eletrônica.

O ex-presidente da OAS é considerado um dos principais nomes entre os executivos alvos da Lava Jato para se apurar o elo do PT, via ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto, com o esquema de corrupção e propina na Petrobrás. A empreiteira foi uma das que teria usado os serviços do doleiro Alberto Youssef – peça central das apurações da Lava Jato – para entrega de dinheiro a Vaccari, por intermédio de sua cunhada Marice Corrêa de Lima. O ex-tesoureiro do PT está preso em Curitiba, desde o mês passado.

Horas antes de Léo Pinheiro ficar frente à frente com o juiz da Lava Jato, sua defesa e a dos demais executivos do grupo OAS apresentaram petição escrita com a versão dos réus. Todos negam qualquer irregularidade e envolvimento no esquema que arrecadava de 1% a 3% em contratos da Petrobrás, para os partidos que fatiavam as diretorias da estatal – PT, PMDB e PP.

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