De borracheiro a ‘maior latifundiário do oeste baiano’

De borracheiro a ‘maior latifundiário do oeste baiano’

Com prisão preventiva decretada na Operação Faroeste, deflagrada na sexta, 22, sob suspeita de integrar 'teia de corrupção' que teria se instalado no Tribunal de Justiça da Bahia para venda de sentenças em processos de grilagem de terras, José Valter Dias afirma ser dono de área cinco vezes maior que Salvador

Pedro Prata

26 de novembro de 2019 | 05h30

O borracheiro José Valter Dias conseguiu a façanha de se transformar no ‘maior latifundiário do oeste baiano’. Ele afirma ser dono de 360 mil hectares de terra, o que equivale a cinco vezes a cidade de Salvador.

José Valter Dias diz ser dono de área cinco vezes maior que Salvador. Foto: MPF/Reprodução

José Valter seria um dos principais beneficiados de uma ‘teia de corrupção’ que se instalou no Tribunal de Justiça da Bahia baseada na venda de sentenças judiciais e grilagem de terras, desmantelada pela Operação Faroeste, deflagrada na sexta, 22, por ordem do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça.

Barreiras fica a 870 km a oeste de Salvador. Foto: Google Maps/Reprodução

Em representação, a Procuradoria da República diz que o borracheiro nunca trabalhou com agricultura, mas isso não o impediu de se tornar ‘um dos maiores latifundiários do País’ com a Fazenda São José em Barreiras, distante 870 quilômetros da capital baiana.

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Ele também possui 5% de participação na empresa JJF Holding, de capital social R$ 581,7 mil. Segundo os investigadores, ela é abastecida com recursos provenientes da fazenda do borracheiro. Os outros sócios são Joílson Gonçalves Dias (49%) e Geciane Maturino (46%), esposa de Adailton Maturino, suposto idealizador do esquema que se passava por ‘cônsul da Guiné-Bissau’.

José Valter Dias não foi encontrado pelos agentes federais que deveriam cumprir sua prisão temporária. Para o Ministério Público Federal, ‘revela-se inusitado o desaparecimento de José Valter Dias da região’.

José Valter Dias diz ser dono de área cinco vezes maior que Salvador. Foto: MPF/Reprodução

Some-se a isso o fato de que a JJF Holding de Investimento não teve sua sede localizada. “Serve a prisão de José Valter Dias como único meio para debelar a destruição de evidências probatórias acerca do mecanismo de dissimulação e ocultação das eventuais vantagens adimplidas aos investigados.

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