Corregedoria da Câmara de São Paulo sugere suspensão de prerrogativas para vereadoras do Novo que brigaram no banheiro

Corregedoria da Câmara de São Paulo sugere suspensão de prerrogativas para vereadoras do Novo que brigaram no banheiro

Cris Monteiro e Janaína Lima agora terão oportunidade de apresentar suas defesas; colegiado afastou quebra de decoro

Rayssa Motta

10 de fevereiro de 2022 | 16h14

Imagens de câmera de segurança da Câmara mostram Cris Monteiro e Janaina Lima tendo discussão no plenário. Instantes depois, as duas trocaram agressões dentro do banheiro da Casa. Foto: Reprodução

A Corregedoria da Câmara Municipal de São Paulo sugeriu nesta quinta-feira, 10, a suspensão das prerrogativas vereadoras Cris Monteiro (Novo) e Janaína Lima (Novo), que se envolveram em uma briga física no banheiro da Casa Legislativa em novembro do ano passado.

O colegiado ainda precisa definir o prazo da punição, quando poderá reavaliar a sugestão da pena disciplinar. A nova votação, no entanto, só vai ocorrer depois que as testemunhas sejam ouvidas novamente e as vereadoras apresentem suas defesas.

A medida foi proposta nos pareceres elaborados pelo vereador André Santos (Republicanos). Ele foi definido relator das representações apresentadas pelas próprias vereadoras para cassar o mandato da outra. A primeira a acionar a Corregedoria foi Cris Monteiro. Em seguida, Janaína Lima fez o mesmo.

Com a aprovação da admissibilidade dos pareceres, a Corregedoria da Câmara, no entanto, afastou a possibilidade de cassação por não ver quebra de decoro parlamentar. Por maioria, o colegiado avalia que houve, na verdade, ‘violação do dever de agir com respeito no trato com as pessoas’.

Os pareceres sugerem a suspensão das prerrogativas, o que impede o uso da palavra em sessão e o exercício de cargos na mesa diretora ou de postos de comando nas comissões da Casa. Por ser uma pena mais branda, a palavra final é da própria Corregedoria e o resultado não passa pelo crivo do plenário.

Correligionárias, as vereadoras protagonizaram uma briga, com agressões físicas, dentro do banheiro da Câmara, após se desentenderem no plenário durante a votação da reforma da previdência. O caso é investigado pela Polícia Civil na 1.ª Delegacia da capital. A Justiça chegou a dar uma medida protetiva, a pedido de Cris Monteiro, para impedir que as duas se aproximem ou mantenham contato.

COM A PALAVRA, A VEREADORA JANAÍNA LIMA

“Por confiar na Casa Legislativa que integro, recebi com tranquilidade a decisão da maioria absoluta dos membros da Corregedoria da Câmara dos Vereadores de São Paulo que afastou a possibilidade de cassação do meu mandato e do da vereadora Cristina Monteiro, com o não acolhimento das representações por falta de decoro parlamentar. Decidindo por penas iguais, o colegiado votou pela admissibilidade de ambas as representações quanto à violação do dever de agir com respeito no trato com as pessoas, infração prevista no inciso VI do artigo 10 da Resolução n. 7 /2003, da Câmara Municipal.

Após notificação, terá início agora a instrução processual e a oportunidade de apresentar minha defesa e provas, que, acredito, irão afastar a pena de suspensão de prerrogativas. Há muito anseio por ver a verdade prevalecer, mostrando que agi única e exclusivamente para resguardar minha integridade física e moral.

Respeito essa Casa, respeito meus pares, e os eleitores que depositaram em mim a confiança de luta incansável pelos interesses do cidadãos de São Paulo. Reafirmo aqui esse meu compromisso.”

COM A PALAVRA, A VEREADORA CRIS MONTEIRO

Procurada pela reportagem, a vereadora informou que não vai se manifestar.

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