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Durante o debate ao redor da reforma da Previdência, as vereadoras Cris Monteiro e Janaína Lima, ambas do Novo, trocaram tapas e ofensas no plenário na última quarta-feira, 10. VIDEO CMSP

Câmara de SP investiga acusações de agressão de vereadoras do Novo

Suspensas pelo Novo, Cris Monteiro e Janaína Lima divulgaram fotos com hematomas; briga teria ocorrido porque líder não deu a palavra à colega

Davi Medeiros e Natália Santos, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2021 | 05h00

Câmara Municipal de São Paulo deve decidir até a próxima terça-feira, 16, os desdobramentos do caso envolvendo as duas vereadoras do NovoCris Monteiro e Janaína Lima, que tiveram desentendimento com relatos de agressão física. A Procuradoria da Casa já ouviu ambas as parlmentares, além de pelo menos duas testemunhas apresentadas por Cris.

Na última quinta-feira, o presidente da Câmara Municipal, Milton Leite (DEM), havia dito que aguardava as apurações e prometeu “medidas cabíveis”. “Não admito nenhuma agressão dentro desse espaço democrático”, disse. Cris Monteiro e Janaína Lima foram suspensas pelo partido Novo.

As vereadoras discutiram durante a votação da reforma da Previdência municipal. Janaína, então líder do partido na Casa, e Cris teriam discordado em torno do tempo de fala desta no plenário. Vídeo das câmeras de segurança mostra Cris “cercando” Janaína, enquanto esta descia a escada, em direção ao banheiro anexo ao plenário. A briga teria acontecido logo em seguida, dentro do banheiro.

 


Janaína alega ter sido levada à força até o banheiro e encurralada rente à parede. Cris diz que foi humilhada por ter uma condição de saúde que a leva a usar peruca (alopecia). Ambas registraram boletins de ocorrência e aguardam o parecer da Casa sobre o ocorrido.

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‘Ela me encurralou com muita força e ficou me batendo na parede’, diz Janaína Lima

Episódio de agressão com Cris Monteiro levou à suspensão de ambas as vereadoras do Novo; ex-líder da bancada na Casa, Janaína diz ter agido em legítima defesa

Entrevista com

Janaína Lima, vereadora do Novo

Davi Medeiros, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2021 | 05h00

A vereadora do Novo Janaína Lima afirma, em entrevista ao Estadão, que confia “em seus colegas e nas instituições” e nas investigações sobre o episódio em que ela e sua correligionária Cris Monteiro trocaram agressões na Câmara Municipal de São Paulo. As duas parlamentares foram suspensas pela sigla, e a Câmara apura o caso. Janaína diz agiu em “legítima defesa”.

“(Cris Monteiro) me encurralou com muita força e ficou me batendo na parede. Com isso, eu estava totalmente imobilizada, então eu tive que me defender”, afirmou Janaína.

Cris Monteiro, que sofre de alopecia — condição em que se perde cabelo de diferentes partes do corpo —, acusa Janaína de arrancar e pisotear sua peruca, humilhando-a. “Obviamente teve combate. Eu jamais faria isso. Respeito muito essa questão da peruca. E principalmente pelo fato de ela ter uma doença autoimune”, afirma. 

Abaixo, leia os principais trechos da entrevista:

Quem começou a briga e por quê? Por favor, conte em detalhes o que houve.

Eu sinto muito por toda a situação. A verdade dos fatos está disponível a qualquer pessoa que entrar no site da Câmara. Os vídeos são claros e demonstram que as agressões começaram verbais, ainda no plenário, e evoluíram para a agressão física. Eu fui empurrada até o banheiro. Entrou, conosco, um vereador, e a Cristina disse que a conversa tinha de ser entre mim e ela. O vereador saiu, ela trancou a porta, e foi quando as agressões se intensificaram. Eu fiquei tentando me desvencilhar como um ato de legítima defesa. 

Qual o histórico de sua relação com a vereadora?

Minha relação com a vereadora era protocolar, profissional. 

Nunca chegaram a ter outro desentendimento antes?

Havia desentendimentos profissionais que são inerentes ao exercício das divergências de opinião. Fazem parte do dia a dia do Parlamento. É um partido que tem um alinhamento muito grande, normalmente buscamos votar juntos. Tem os desafios de sermos de uma bancada ideologicamente forte, de um partido que prima por ideias, então sempre tem um esforço maior para entendermos os pontos de vista uns dos outros e obviamente há divergências de opiniões. 

Como líder, por que não garantir a fala à colega? Ela diz que a senhora tentou esganá-la, pisoteou sua peruca e a humilhou.

O tempo de fala da vereadora já estava garantido, a única questão era a ordem da fala. Ali não era uma questão de liderança partidária, e sim uma divisão de tempo estipulada pela mesa diretora. Como eu fui a relatora da proposta, juntamente com o Fernando Holiday (Novo), eu inauguraria a fala. O tempo dela estava garantido. No primeiro bloco falariam os relatores e, no segundo, ela, o vereador Fabio Riva (PSDB) e o vereador Rubinho (PSL). 

E sobre a peruca?

Quando a gente entrou no banheiro, a vereadora me encurralou na parede com muita força e ficou me batendo na parede. Com isso, eu estava totalmente imobilizada, então eu tive que me defender. Um ato de defesa. Obviamente teve combate. Eu jamais faria isso. Respeito muito essa questão da peruca. E principalmente pelo fato de ela ter uma doença autoimune. Eu não iria pegar a peruca e fazer algo assim. Não tirei a peruca da vereadora, isso pode ter acontecido por causa do conflito corporal, mas jamais foi algo pensado. Ela tem alguns arranhamentos (sic) na cabeça, mas isso jamais foi da minha unha. Nem unha eu tenho, minhas unhas são pequenas.  

Como avalia a postura do Novo e da Presidência da Câmara? Como a senhora pretende conduzir esse acontecimento e os desdobramentos?

Eu confio nas instituições. O vídeo está claro, corrobora o que eu tenho apresentado. São coisas que não deveriam ter acontecido e, agora, tem de ter serenidade. Todas as providências legais foram tomadas, a Procuradoria da Casa está recolhendo todos os depoimentos para uma posterior avaliação do procedimento dentro da Câmara Municipal. Eu tenho plena confiança nos meus pares e aguardo os desdobramentos da Justiça com serenidade. 

Vocês foram suspensas pelo Novo. Acredita que a atitude do partido foi correta?

Eu acato a decisão partidária, confiando no meu partido.

Lideranças da Câmara falam em cassação. A senhora acredita que será cassada?

É um tema que não chegou ao meu conhecimento. Nós ainda estamos num processo preliminar, então eu confio nos meus colegas e na instituição Câmara Municipal de São Paulo.

A senhora defenderia, se fosse o caso, a cassação da vereadora Cris Monteiro?

Não compete a mim, e, sim, às instituições. 

Mas a senhora advogaria pela cassação dela?

Isso não compete a mim. 

Como fica seu trabalho na Câmara? Acha que esse episódio pode prejudicar os trabalhos daqui em diante?

Não consigo nem ter cabeça para trazer uma resposta. Ainda estou muito chateada com toda essa situação. Nós representamos uma instituição maior do que esses fatos, por isso acredito muito na condução do partido nesse caso para que tudo se resolva da melhor forma possível. Essa situação é muito nova para mim, sou vereadora há cinco anos. Já tive divergências políticas, mas nunca vivi uma situação de agressão em vias de fato. Estou tentando enfrentar com toda a serenidade que é necessária e que o caso exige.

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‘Espero a cassação da minha agressora’, afirma Cris Monteiro, vereadora do Novo

Parlamentar e correligionária Janaína Lima trocaram agressões na Câmara Municipal de São Paulo; ambas as vereadoras foram suspensas pelo partido Novo

Entrevista com

Cris Monteiro, vereadora do Novo

Natália Santos, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2021 | 05h00
Atualizado 13 de novembro de 2021 | 17h00

A vereadora Cris Monteiro afirmou, em entrevista ao Estadão, que espera que sua correligionária, Janaína Lima, seja cassada após episódio em que ambas trocaram agressões na Câmara Municipal de São Paulo, durante votação da reforma da Previdência, na quarta-feira, 10. “Espero a cassação da minha agressora”, afirma. Ambas as parlamentares foram suspensas pelo partido Novo.

“Eu dou graças a Deus que abriram aquela porta porque eu não sei o que poderia ter acontecido. Eu caí e escorreguei, então eu não pude me defender”, disse a vereadora. Janaína afirmou, também em entrevista ao Estadão, que agiu em legítima defesa.

Leia os principais trechos da entrevista:

Quem começou a briga e por quê?

A briga começou com a minha agressora. Nós estávamos discutindo o tempo de fala sobre a reforma da Previdência junto com o presidente da Câmara. Após a decisão, ela se aproximou questionando o porquê de eu querer os minutos dela. Respondi que tínhamos acabado de decidir o nosso tempo de fala, mas ela insistiu na discussão, dizendo que eu queria roubar o brilho dela. Fiquei desconcertada e ela insistiu dizendo que ela fazia tudo por mim. Tentei cessar a discussão, mas ela optou por continuar falando sobre a nossa relação e me cutucando. Então, eu cedo e aceito continuar a conversa. Nisso, ela sai, mas eu vou atrás dela. Essa é a cena daquele vídeo que está circulando. Eu não queria ter aquela conversa ali, mas ela ficou ali me cutucando. Eu fui atrás dela mesmo para que ela colocasse o que tinha para falar.

O que acontece depois do encontro na escada?

Ela vai até o banheiro e eu vou atrás dela. Ali, nós começamos a discutir, uma conversa bem acalorada, com as duas falando alto uma com a outra, mas sem ofensas pessoais. Em um ponto da discussão, ela enruga o rosto, coloca o dente para fora, me agarra pelo pescoço e começa a me estrangular enquanto me empurra para trás. Enquanto eu caio no chão, ela arranca a minha peruca. O pessoal da Câmara abre a porta e se depara com Janaina ainda me batendo. Na porta, tem duas pessoas: uma guarda metropolitana e uma funcionária da Câmara. Eu estou sem peruca, toda machucada. Ela pula o meu corpo e volta para o plenário para fazer um discurso como se nada tivesse acontecido. Eu dou graças a Deus que abriram aquela porta porque eu não sei o que poderia ter acontecido. Eu caí e escorreguei, então eu não pude me defender. Ela tem 36 anos, eu tenho 60. A força física é completamente diferente.

Qual o histórico de sua relação com a vereadora?

Janaína é uma pessoa que ficou sozinha na Câmara pelo partido Novo por muito tempo. Ela é uma mulher trabalhadora e inteligente e eu dou esse crédito para ela. No momento em que eu chego na Câmara, ela tem que dividir esse espaço. Janaína não sabe trabalhar em time. Ela se atrasa nas reuniões de bancada, faz acordos com o governo e não compartilha. Eu comecei a cobrar dela, de forma tolerante e democrática. Isso vai minando a relação. Tivemos algumas discussões, nada comparado com o último acontecimento, e eu senti que a relação estava ruim. Eu a convidei para um café para conversarmos, mas ela me ignora. Não responde o meu WhatsApp. Nossa relação passou a ser protocolar, sem discussões, sem brigas, mas também sem uma união necessária que uma bancada precisa ter. A relação estava nesse desgaste por causa de como a gente opera. Inclusive, depois do acontecimento, eu recebi uma mensagem em que a pessoa comenta que deixou o gabinete de Janaína porque tinha medo de que acontecesse com ela o que aconteceu comigo.

Como avalia a postura do Novo e da Presidência da Câmara?

O meu partido fez o que eu esperaria que fizesse se esse episódio tivesse acontecido com qualquer outro mandatário. A gente é um partido e temos que prezar pelo nome do partido. Eu recebo isso com muita tranquilidade e admiração pelo partido. Com relação à Câmara, o presidente Milton Leite (DEM) foi impecável. Quando ele soube que eu estava toda quebrada no banheiro, ele deixou o plenário e foi até lá me ver. Ele me orientou a ir até a corregedoria para prestar depoimento porque é o meu dever de ofício.

Como a senhora pretende conduzir esse acontecimento e os desdobramentos?

Temos o processo no partido e, na corregedoria, tem outro processo mais burocrático e denso. Eu abri um boletim de ocorrência e fiz exame de corpo delito. Agora, eu vou dar seguimento para isso porque discussões sim, mas agressões físicas e estrangulamento de vereadores, jamais. Detalhe importante: a minha agressora só fez o BO dela depois que viu que eu fiz o meu BO. Ela tentou, por meio de uma terceira pessoa que ela mandou ao meu gabinete, falar para que eu deixasse isso para lá e que depois poderíamos tomar um café.

Como fica seu trabalho na Câmara?

Eu não tenho partido, mas eu tenho mandato. Vai ser difícil, mas terça-feira voltam os trabalhos na Câmara e eu irei me apresentar. Vai ser muito difícil encontrá-la. Eu preferia que ela não estivesse lá. Vou lembrar todos os momentos da agressão com ela me estrangulando, mas terei que ser, mais uma vez, valente.

A senhora acha que a sua correligionária deve ser cassada?

Sem dúvida nenhuma. Eu não sou acho, mas como eu espero a cassação da minha agressora.

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