TCU desmente Bolsonaro e diz que não fez relatório sobre mortes por covid-19

TCU desmente Bolsonaro e diz que não fez relatório sobre mortes por covid-19

Lauriberto Pompeu / BRASÍLIA

07 de junho de 2021 | 15h24

Presidente Jair Bolsonaro. FOTO: GABRIELA BILO/ESTADÃO

O Tribunal de Contas da União (TCU) desmentiu nesta segunda-feira, 7, o presidente Jair Bolsonaro e afirmou não ter feito relatório apontando que metade das mortes atribuídas à covid-19 no Brasil, em 2020, foi causada por outros fatores que não o vírus. “O TCU esclarece que não há informações em relatórios do tribunal que apontem que ‘em torno de 50% dos óbitos por Covid no ano passado não foram por covid’, conforme afirmação do presidente Jair Bolsonaro”, diz um trecho da manifestação divulgada pelo tribunal.

De manhã, durante conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro afirmou que estava revelando “em primeira mão” o relatório, segundo ele divulgado havia “alguns dias”. “O relatório final, que não é conclusivo, disse que em torno de 50% dos óbitos por covid no ano passado não foram por covid, segundo o Tribunal de Contas da União”, declarou. “Esse relatório saiu há alguns dias. Logicamente que a imprensa não vai divulgar.”

O Brasil registra mais de 474 mil mortos por coronavírus. Desde o início da pandemia, Bolsonaro e aliados agem para minimizar o número de vidas perdidas em decorrência de covid-19. O presidente já se referiu à doença como “gripezinha”, criticou medidas de isolamento social, atrasou a compra de vacinas, apostou na imunidade de rebanho e no chamado “tratamento precoce” com medicamentos contraindicados para a covid-19, como cloroquina.

Em pronunciamento na quarta-feira passada, Bolsonaro exaltou a vacinação contra a covid e comemorou a transferência de tecnologia para a Fiocruz fabricar o imunizante da AstraZeneca por conta própria. Na ocasião, senadores da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid criticaram o pronunciamento. Para eles, a “inflexão” do presidente “vem com um atraso fatal e doloroso”.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.