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CPI da Covid critica Bolsonaro e diz que pronunciamento tem 'atraso fatal e doloroso'

Apenas senadores governistas não endossaram nota

Lauriberto Pompeu, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2021 | 22h09

BRASÍLIA - O G7, grupo de sete senadores independentes e de oposição na CPI da Covid divulgou uma nota para criticar o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, veiculado em rede nacional de rádio e TV na noite desta quarta-feira, 2. "A inflexão do Presidente da República celebrando vacinas contra a covid-19 vem com um atraso fatal e doloroso", escreveram os senadores.

No pronunciamento, Bolsonaro exaltou a vacinação contra o vírus e comemorou a transferência de tecnologia para o laboratório da Fiocruz fabricar a vacina da AstraZeneca por conta própria. "O Brasil esperava esse tom em 24 de março de 2020, quando inaugurou-se o negacionismo minimizando a doença, qualificando-a de gripezinha", criticaram os integrantes da CPI.

Em discurso que durou cinco minutos, Bolsonaro destacou o número de vacinados no País - novamente a partir de dados absolutos, e não proporcionais - e voltou a se colocar contra as medidas restritivas de governadores. Disse que o "governo não obrigou ninguém a ficar em casa" e não tirou o sustento de milhões de trabalhadores informais.  

A nota da CPI conta com as assinaturas do presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), do vice-presidente Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e do relator Renan Calheiros (MDB-AL). 

Os senadores que não assinaram foram os governistas Marcos Rogério (DEM-RO), Jorginho Mello (PL-SC), Eduardo Girão (Podemos-CE) e Ciro Nogueira (Progressistas-PI), titulares do colegiado, além dos  suplentes Marcos do Val (Podemos-ES), Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) e Luiz Carlos Heinze (Progressistas-RS). Angelo Coronel (PSD-BA) e Jader Barbalho (MDB-PA), que se auto-intitulam independentes,  também não assinaram.

Leia a íntegra da nota da CPI:

 A inflexão do Presidente da República celebrando vacinas contra a Covid-19 vem com um atraso fatal e doloroso. O Brasil esperava esse tom em 24 de março de 2020, quando inaugurou-se o negacionismo minimizando a doença, qualificando-a de ‘gripezinha’.   

Um atraso de 432 dias e a morte de quase 470 mil brasileiros, desumano e indefensável. A fala deveria ser materializada na aceitação das vacinas do Butantan e da Pfizer no meio do ano passado, quando o governo deixou de comprar 130 milhões de doses, suficientes para metade da população brasileira. 

Optou-se por desqualificar vacinas, sabotar a ciência, estimular aglomerações, conspirar contra o isolamento e prescrever medicamentos ineficazes para a Covid-19.  A reação é consequência do trabalho desta CPI e da pressão da sociedade brasileira que ocupou as ruas contra o obscurantismo. Embora sinalize com recuo no negacionismo, esse reposicionamento vem tarde demais. A CPI volta a lamentar a perda de tantas vidas e dores que poderiam ter sido evitadas.      

Omar Aziz- Presidente CPI  (PSD-AM)

Randolfe Rodrigues – Vice Presidente CPI   (Rede-AP)

Renan Calheiros – Relator   (MDB-AL)

 Em apoio  membros efetivos:    

Tasso Jereissati  (PSDB-CE)

Otto Alencar (PSD-BA) 

Humberto Costa  (PT-PE)

Eduardo Braga    (MDB-AM)

Suplentes:    

Alessandro Vieira  (Cidadania-SE)

Rogério Carvalho  (PT-SE)

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