Após prisão, Sara tem canal desmonetizado e alega perda de US$ 1.800

Após prisão, Sara tem canal desmonetizado e alega perda de US$ 1.800

Extremista admitiu que Youtube retirou a rentabilidade de seu perfil na plataforma após decisões do Supremo no inquérito dos atos antidemocráticos

Paulo Roberto Netto

28 de junho de 2020 | 14h21

A extremista Sara Giromini admitiu que seu canal no Youtube foi desmonetizado após ela ser presa pela Polícia Federal, no último dia 14. Em coletiva com jornalistas na sexta, 26, ela afirmou que estava ‘aprendendo a ganhar dinheiro’ com a plataforma e receberia cerca de US 1.800 (cerca de R$ 9,8 mil) pelo conteúdo produzido em maio.

“Eu descobri nesses últimos meses que fazendo live você ganha dinheiro dinheiro. Enquanto eu estava aprendendo a ganhar dinheiro, tiraram a monetização. Que merda. Nesse último mês eu fechei o mês com mais ou menos 1.800 dólares, não sei se esse dinheiro vai cair na minha conta”, afirmou a jornalistas. Segundo Sara, sua fonte de renda principal vinha de consultoria para políticos e palestras que fazia pelo País.

Sara foi solta na quarta, 24, mas está sendo monitorada com tornozeleira eletrônica. Ela também está proibida de deixar a própria casa, exceto para trabalhar ou estudar, e deverá ficar ao menos um quilômetro distante das sedes do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional, em Brasília.

Com mais de 242 mil inscritos, o perfil da extremista no Youtube reproduz conteúdos pró-governo e contra lideranças de esquerda. O canal foi alvo de requisição de informações determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, que ordenou ao Youtube o envio de relatórios financeiros e pagamentos efetuados às plataformas.

Foi na plataforma que a extremista ameaçou o ministro após ser alvo de buscas e apreensões no inquérito das ‘fake news’. Em transmissão ao vivo, ela afirmou que, se pudesse, iria ‘trocar socos’ com Moraes. O vídeo atingiu 111 mil visualizações até o dia 28 de junho.

O ministro é relator de inquérito sigiloso no Supremo Tribunal Federal que apura o financiamento de atos antidemocráticos em Brasília. A investigação foi aberta a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que identificou indícios de associação criminosa que busca obter ganhos financeiros e políticos com a ‘desestabilização do regime democrático’.

A extremista Sara Giromini, em frente à sede da Polícia Federal. Foto: Gabriela Biló / Estadão

A PGR identificou vários núcleos ligados à associação criminosa, sendo eles ‘organizadores e movimentos’, ‘influenciadores digitais e hashtags’, ‘monetização’ e ‘conexão com parlamentares’. Na avaliação da Procuradoria, os parlamentares ajudariam na expressão e formulação de mensagens, além de contribuir com sua propagação, visibilidade e financiamento.

“Os frequentes entrelaçamentos dos membros de cada um dos núcleos descritos acima indiciam a potencial existência de uma rede integralmente estruturada de comunicação virtual voltada tanto à sectarização da política quanto à desestabilização do regime democrático para auferir ganhos econômicos diretos e políticos indiretos”, apontou trecho da manifestação da PGR reproduzida por Moraes, em decisão tornada pública na segunda, 22. A Procuradoria destacou a existência de ‘abusos e crimes que precisam ser apurados’ no caso.

O financiamento, de acordo com o vice-procurador-geral Humberto Jacques, teria beneficiado ao menos dois canais pró-governo no Youtube: Folha Política e Foco do Brasil. Ambos podem ter embolsado até R$ 157 mil com transmissões dos discursos de Bolsonaro nos protestos recentes. A arrecadação também viria de parcerias, assinaturas, eventuais compras de produtos vendidos nos canais e anúncios pagos por empresas e órgãos públicos.

“Com o objetivo de lucrar, estes canais, que alcançam um universo de milhões de pessoas, potencializam ao máximo a retórica da distinção amigo-inimigo, dando impulso, assim, a insurgências que acabam efetivamente se materializando na vida real, e alimentando novamente toda a cadeia de mensagens e obtenção de recursos financeiros”, diz Jacques em uma das peças do inquérito.

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