Bolsonaristas podem ter lucrado mais de R$150 mil com atos antidemocráticos, diz PGR

Bolsonaristas podem ter lucrado mais de R$150 mil com atos antidemocráticos, diz PGR

Parlamentares, empresários e donos de sites pró-governo atuariam em conjunto para divulgar manifestações contra as instituições; informações foram divulgadas pela CNN Brasil e pela coluna do jornalista Lauro Jardim e confirmadas pelo Estadão

Fausto Macedo e Rayssa Motta

22 de junho de 2020 | 13h13

O presidente Jair Bolsonaro discursa em manifestação contra o Congresso e a favor de intervenção militar em frente ao Quartel General do Exército em Brasília. Foto: Gabriela Biló / Estadão

Aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) podem ter lucrado mais de R$ 150 mil com a divulgação de atos antidemocráticos, que pedem o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, segundo a Procuradoria-Geral da República.

A suspeita é que parlamentares, empresários e donos de sites bolsonaristas atuariam em conjunto em um ‘negócio lucrativo’ de divulgação de manifestações contra as instituições democráticas. As informações foram obtidas pela CNN Brasil e pela coluna de Lauro Jardim e confirmadas pelo Estadão.

De acordo com o vice-procurador-geral, Humberto Jacques, dois canais pró-governo no Youtube, Folha Política e Foco do Brasil, podem ter embolsado até R$ 157 mil com transmissões dos discursos de Bolsonaro em protestos recentes. A arrecadação viria de parcerias, assinaturas, eventuais compras de produtos oferecidos pelos canais e até de anúncios pagos por empresas e órgãos públicos.

“Com o objetivo de lucrar, estes canais, que alcançam um universo de milhões de pessoas, potencializam ao máximo a retórica da distinção amigo-inimigo, dando impulso, assim, a insurgências que acabam efetivamente se materializando na vida real, e alimentando novamente toda a cadeia de mensagens e obtenção de recursos financeiros”, diz Jacques em uma das peças do inquérito.

O vice-procurador cita dados de relatórios de uma empresa especializada em análises estatísticas de páginas do YouTube, segundo os quais, a Folha Política, por exemplo, pode ter faturado entre US$ 6 mil e US$ 11 mil com a live do presidente do dia 3 de maio em frente ao Palácio do Planalto.

Já o vídeo da participação de Bolsonaro no ato de 19 de abril, dia do Exército, pode ter rendido ao Foco do Brasil, segundo a PGR, entre US$ 7,55 mil e US$ 18 mil. A manifestação em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília, que pedia intervenção militar e o fechamento do Congresso e do STF, foi o ponto de partida para a abertura do inquérito que apura a organização e o financiamento de manifestações contra a democracia.

Jacques destaca ainda que ‘há uma escalada em que mensagens apelativas produzem propagação e dinheiro; e a busca por dinheiro gera a necessidade de renovação de bandeiras com grande apelo e propagação’.

Os deputados federais Daniel Silveira (PSL-RJ), Junio do Amaral (PSL-MG), Otoni de Paula (PSC-RJ), Caroline de Toni (PSL-SC), Carla Zambelli (PSL-SP), Alessandra da Silva Ribeiro (PSL-MG), Beatriz Kicis (PSL-DF), General Girão (PSL-RN), José Guilherme Negrão Peixoto (PSL-SP) e Aline Sleutjes (PSL-PR) tiveram o sigilo bancário quebrado na investigação sobre atos antidemocráticos. Fotos: Reprodução/Câmara dos Deputados

Na semana passada, mandados de busca e apreensão contra apoiadores do governo foram cumpridos no âmbito na investigação. Além disso, o sigilo bancário de dez deputados e um senador, todos bolsonaristas, foi quebrado.

O ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito no STF, também determinou que YouTube, Facebook e Instagram prestem informações se as páginas mantidas pelos alvos da operação recebem algum tipo de pagamento por cada postagem.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: