Após acusações de Moro, Alexandre blinda delegados do inquérito das fake news

Após acusações de Moro, Alexandre blinda delegados do inquérito das fake news

Ministro do Supremo Tribunal Federal determinou que investigações sejam mantidas com os mesmos delegados e ainda deu a eles a condução de outro inquérito, que mira a participação de políticos nos atos que pediam o fechamento do Congresso

Rafael Moraes Moura/BRASÍLIA e Luiz Vassallo/SÃO PAULO

24 de abril de 2020 | 19h44

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

Após as acusações do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro contra o presidente Jair Bolsonaro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes decidiu nesta sexta-feira (24) blindar os delegados do inquérito das fake news, impedindo que eles sejam trocados em meio à mudança de comando da Polícia Federal. Os mesmos delegados estão conduzindo as investigações dos atos antidemocráticos do último domingo que pediam o fechamento do Congresso Nacional e do próprio STF. O presidente Jair Bolsonaro participou da manifestação em Brasília, quando atacou a “velha política” e avisou que não quer “negociar nada”.

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“Comunique-se ao diretor executivo da Polícia Federal, em exercício, que, no âmbito da Polícia Federal, as investigações neste inquérito (que apura a autoria e o financiamento dos protestos antidemocráticos) deverão ser conduzidas pela equipe composta pelos delegados federais Igor Romário de Paula, Denisse Dias Rosas Ribeiro, Fábio Alceu Mertens e Daniel Daher, que já atuam no Inquérito 4.781 (inquérito das fake news)”, escreveu Moraes, ao impedir mudança na equipe que o auxilia nos trabalhos no STF.

Ao anunciar a saída do cargo, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, acusou nesta sexta-feira o presidente Jair Bolsonaro de tentar interferir politicamente no comando da Polícia Federal para obter acesso a informações sigilosas e relatórios de inteligência.

O procurador-geral, Augusto Aras, pediu ao STF, uma investigação após as declarações de Moro. O objetivo é apurar se foram cometidos os crimes de falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação, obstrução de justiça, corrupção passiva privilegiada, denunciação caluniosa e crime contra a honra.

O inquérito das fake news é um dos que preocupam o presidente. A investigação identificou empresários bolsonaristas que estariam financiando ataques contra ministros da Corte nas redes sociais, conforme revelou o Estado.

A investigação é conduzida por Igor Romário de Paula, que integrou a Lava Jato em Curitiba, e é tido como um aliado do ex-ministro Sérgio Moro, e também Denisse Dias Rosas Ribeiro, Fábio Alceu Mertens e Daniel Daher. Em uma nova decisão, Alexandre determina que o inquérito deve continuar nas mãos destes delegados.

Já o inquérito 4828, foi solicitado pelo procurador-geral, Augusto Aras, para mirar “fatos em tese delituosos envolvendo a organização de atos contra o regime da democracia participativa brasileira”. O objetivo é verificar se houve violação à Lei de Segurança Nacional nos protestos ocorridos no último domingo.

Para esta investigação, Alexandre decidiu hoje que os mesmos delegados do inquérito das fake news devem conduzi-las. Esse inquérito não mira o presidente, que também participou dos atos, mas inclui deputados em seu polo de investigados.

O algoritmo do Supremo deixou a investigação dos atos com Moraes, mesmo relator do inquérito das fake news. “Como diria Maradona: a mão de Deus”, resumiu um ministro.

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