AGU quer saber quem vai ter acesso ao vídeo da reunião citada por Moro contra Bolsonaro

AGU quer saber quem vai ter acesso ao vídeo da reunião citada por Moro contra Bolsonaro

Em nova petição ao ministro Celso de Mello, Advocacia-geral da União pede que seja definida a 'cadeia de custódia' que poderá conhecer o conteúdo do encontro ocorrido em 22 de abril no Planalto quando, segundo o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Bolsonaro o pressionou para mudar a direção da Polícia Federal

Pepita Ortega, Rafael Moraes Moura e Fausto Macedo

08 de maio de 2020 | 12h05

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro Sérgio Moro.Foto: Dida Sampaio/Estadão

A  Advocacia-Geral da União (AGU) encaminhou mais um pedido ao ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal, agora para que seja definida a cadeia de custódia da gravação de reunião ministerial ocorrida no dia 22 de abril, citada pelo ex-ministro Sérgio Moro como a ocasião em que o presidente teria pressionado o ex-juiz a trocar o comando da Polícia Federal.

Diante da ‘iminente entrega do registro audiovisual completo da reunião presidencial’, o braço jurídico do governo Bolsonaro, quer saber, ‘desde logo’, quem poderá acessar o vídeo até que sejam ‘segregados os elementos pertinentes’ ao inquérito, e os mesmos juntados aos autos. Isso se tal separação for deferida por Celso de Mello.

A indicação tem relação com o pedido anterior feito pela AGU, o segundo com relação ao vídeo solicitado pelo decano. No documento, a AGU ‘rogou’ para que Celso de Mello limite o envio da gravação a ‘apenas e tão-somente a eventuais elementos que sejam objeto do presente inquérito’ –  ou seja, as conversas entre Moro e o presidente.

No primeiro pedido, o governo alegou que a reunião tratou de ‘assuntos potencialmente sensíveis e reservados de Estado’, e pediu a reconsideração do decano para enviar a gravação.

Após o depoimento de Moro no último sábado, 2, e pedido da Procuradoria-Geral da União, Celso de Mello cobrou o envio da íntegra da reunião, sem edições ou alterações. “As autoridades deverão preservar a integridade do conteúdo de referida gravação, em ordem de impedir que os elementos nela contidos possam ser alterados, modificados ou, até mesmo, suprimidos”, determinou o ministro.

Em manifestação, a defesa de Moro alegou ao decano que ‘destacar trechos que são ou não importantes não pode ficar a cargo do investigado’. De acordo com os advogados do ex-ministro, ‘eventuais colocações constrangedoras’ de Bolsonaro, passíveis de constatação durante a reunião, ‘não são motivos aptos a impedir o atendimento de determinação judicial pois não se trata de ‘segredo de Estado’.

O Estado antecipou na que o Palácio do Planalto não planejava entregar a íntegra da reunião, que gera preocupação ao governo. Além da suposta pressão que o presidente Jair Bolsonaro teria feito sobre Moro para trocar o comando da Polícia Federal, o vídeo também conteria o registro de um desentendimento entre os ministros da Economia, Paulo Guedes, e do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho.

Bolsonaro chegou a prometer que divulgaria o vídeo da reunião com Moro para mostrar como ele trata os ministros, mas depois recuou alegando que recebeu o conselho para ‘não divulgar para não criar turbulência’.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.