Vídeo de desabafo de mulher em Manaus é tirado de contexto para promover teoria da conspiração

Vídeo de desabafo de mulher em Manaus é tirado de contexto para promover teoria da conspiração

Em gravação de janeiro, acompanhante de paciente com covid-19 contesta decisão de hospital de diminuir quantidade de oxigênio fornecido a pacientes

Pedro Prata

17 de março de 2021 | 15h42

Um vídeo compartilhado no WhatsApp e no Facebook tira de contexto o desabafo de uma mulher em Manaus para espalhar uma teoria da conspiração sobre a pandemia de covid-19. Na gravação, feita em janeiro, a mulher afirma ter visto a enfermeira de um hospital diminuir a quantidade de oxigênio fornecida aos pacientes. A filmagem tem sido divulgada como “prova” da existência de um plano de redução da população por meio do coronavírus. No entanto, veículos de imprensa profissional presentes na ocasião registraram que a redução de oxigênio foi adotada para economizar o insumo hospitalar, que ficou em falta no início do ano no Amazonas devido à explosão no número de casos de covid-19.

O vídeo tem sido compartilhado no Facebook com uma legenda que falsamente aponta a mulher como uma “enfermeira indignada” que teria dito que “a ordem é entubar todos os pacientes e depois baixar o oxigênio, para aumentar os números de mortes e justificar o lockdown, para quebrar a economia e tentar desestabilizar o governo federal”. No vídeo, no entanto, não é possível ouvir a mulher dizer nada disso.

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Vídeo foi gravado em momento mais grave de escassez de oxigênio hospitalar no Amazonas. Foto: Reprodução

O portal G1 informou na matéria “Familiares dizem que hospital em Manaus reduziu oxigênio de pacientes com Covid-19” que a mulher mostrada no vídeo era acompanhante, não enfermeira, de um homem internado com covid-19 no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, em Manaus. Ela e outros visitantes da unidade de saúde afirmaram ter visto quando uma enfermeira reduziu o nível de oxigênio dos pacientes. Ao reclamarem contra a situação, teriam sido retirados do hospital. Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde disse ao G1 que o Estado operava com limitação de oxigênio e que as unidades de saúde adotaram um novo protocolo para “uso racional de oxigênio”.

O vídeo foi gravado em um dos momentos mais críticos da pandemia no Amazonas, quando o aumento no número de casos levou a uma escassez de oxigênio hospitalar. A demanda diária do insumo chegou a ser quase três vezes maior do que a capacidade de produção das indústrias locais. Atualmente, a situação no Estado continua grave. O nível de alerta da taxa de ocupação nas UTIs é crítico, informou nesta quarta-feira a Fiocruz.

O cenário de colapso da saúde no Amazonas em janeiro colaborou para a disseminação de desinformação nas redes sociais. O Estadão Verifica mostrou ser falso que a falta oxigênio teria ocorrido por causa de ‘dívida’ do governo estadual. Também mostrou ser verdadeiro que a Venezuela tenha enviado oxigênio ao estado brasileiro.

Fique atento: o vídeo contém aspectos comuns a peças de desinformação. A gravação tem sido compartilhada sem referências à data, ao local, ou à fonte da informação. Além disso, contém expressões alarmistas e conspiratórias como “redução da população” e “isso será abafado”. 

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