Venezuela doou oxigênio para Manaus, ao contrário do que afirmam postagens no Facebook
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Venezuela doou oxigênio para Manaus, ao contrário do que afirmam postagens no Facebook

País vizinho enviou carregamento de 107 mil m³, segundo governo do Amazonas

Alessandra Monnerat

19 de janeiro de 2021 | 15h32

São falsas as publicações no Facebook que afirmam que a Venezuela não doou oxigênio hospitalar a Manaus. As postagens alegam que a empresa White Martins seria a verdadeira responsável pelo envio do insumo ao Amazonas. Isso não é verdade: o governo do estado venezuelano de Bolívar mandou um carregamento de 107 mil m³ de oxigênio a Manaus, como confirmou o governo amazonense. Os caminhões atravessaram a fronteira com o Brasil nesta segunda-feira, 18.

No sábado, 16, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, informou que o carregamento com o insumo saiu da fábrica da Sidor, uma siderúrgica estatal, em Puerto Ordaz. No site do governo venezuelano, Arreaza confirmou que o envio era uma doação, e disse que não queremos nada em troca”.

A White Martins também envia oxigênio hospitalar de fábricas na Venezuela. Na quinta-feira, 14, a empresa comunicou ao Estadão que havia identificado a disponibilidade do produto em suas operações na Venezuela e que estava tentando viabilizar a importação para o Amazonas.

Na tarde desta segunda-feira, a White Martins informou ao Estadão Verifica que “o oxigênio que seria transportado da operação do grupo na Venezuela para Manaus foi solicitado pelo governo venezuelano para fazer uma doação diretamente ao governo do Amazonas em território brasileiro”.

Esta segunda doação tem volume de 30 mil m³, e saiu do Pólo Petroquímico de José, na cidade de Barcelona, estado de Anzoategui. A previsão é que o carregamento chegue à fronteira brasileira nesta quarta-feira, 20, e a Manaus na sexta-feira, 22, segundo a White Martins.

Aos Fatos também publicou uma checagem sobre este assunto.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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