Para atacar ativista Txai Suruí, postagens falsas usam foto de outra mulher em festa

Para atacar ativista Txai Suruí, postagens falsas usam foto de outra mulher em festa

Jovem indígena se tornou alvo de desinformação após discursar na COP-26, a Cúpula do Clima em Glasgow

Pedro Prata

10 de novembro de 2021 | 15h43

A ativista indígena Txai Suruí se tornou alvo de desinformação desde que discursou na Cúpula do Clima, a COP-26, em Glasgow. Postagens no Facebook compartilham fotos de uma mulher participando de festas como se fossem de Txai, mas não é ela a pessoa que aparece nas imagens. As imagens são compartilhadas com mensagens que questionam o pertencimento indígena da ativista. 

Txai Suruí: ‘Os povos indígenas estão na linha de frente da emergência climática’. Foto: Kiara Worth/UNFCCC-COP_26

“Olha aí a ‘índia brasileira’ que foi falar mal do seu País lá fora”, diz a postagem (veja aqui) com mais de 17 mil compartilhamentos no Facebook. Ela ainda acusa a jovem de ser “índia nas horas vagas”.

É falso que as fotos mostrem Txai Suruí. Elas são da conta no Instagram de nome @aurora_lincoln2, pertencente a uma mulher de São Luís, no Maranhão. O perfil da ativista na rede social é @txaisurui.

Txai Suruí pertence ao povo Paiter Suruí. Ela é uma das fundadoras do Movimento da Juventude Indígena de Rondônia. Atualmente estudando Direito, atua no núcleo jurídico da Associação de Defesa Etnoambiental – Kanindé.

Em seu discurso na COP-26, ela falou sobre a importância de proteger a Amazônia e de se ouvir os povos indígenas no enfrentamento à crise do clima. “Os povos indígenas estão na linha de frente da emergência climática”, disse.

Ela foi alvo de críticas de Jair Bolsonaro, que não compareceu ao evento. O presidente já defendeu a abertura das terras indígenas para a mineração e proferiu alegações falsas, como dizer que são os índios os responsáveis por incêndios florestais.

No Twitter, a jovem falou que recebeu “mensagens racistas e de ódio” questionando o fato dela ser indígena e aparecer usando celular ou viajando em países estrangeiros. “Minha mãe me disse para continuar com minha mensagem de esperança e meu pai me lembrou de que sou uma guerreira da paz”, falou.

Movimentos indígenas já foram alvo de desinformação e ataques racistas nas redes sociais. Usuários questionaram o fato de alguns indígenas que foram a Brasília protestar contra a tese do marco temporal este ano não possuírem o fenótipo que é comumente associado aos povos originários. Apesar disso, ativistas e pesquisadores explicam que um indivíduo se identifica como indígena por aspectos culturais, e não genéticos.

Esse conteúdo também foi checado por Boatos.org.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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