É falso que assessor de Fux tenha sido o responsável por investigar atentado a Bolsonaro

É falso que assessor de Fux tenha sido o responsável por investigar atentado a Bolsonaro

Rogério Galloro era diretor-geral da Polícia Federal na época do inquérito; investigação ocorreu na regional de Minas Gerais

Pedro Prata

11 de agosto de 2021 | 17h00

É falso que o delegado da Polícia Federal Rogério Galloro tenha sido o responsável pelas investigações do atentado a faca contra Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018. Também não é verdade que Galloro tenha liderado o inquérito sobre um ataque hacker aos sistemas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Galloro, na realidade, era diretor-geral da corporação quando os dois casos foram abertos — atualmente, ele exerce a função de assessor especial do gabinete da presidência do Supremo Tribunal Federal (STF). Um post com as alegações falsas foi compartilhado ao menos 2,8 mil vezes no Facebook.

Foi o delegado Rodrigo Morais Fernandes quem conduziu os inquéritos do atentado a Bolsonaro. Foto: Reprodução

Rogério Galloro não poderia ter sido o responsável pelas investigações do atentado a Bolsonaro por um simples motivo: ele era diretor-geral da corporação na época do incidente. A informação foi confirmada pela assessoria de comunicação da PF por e-mail. Os inquéritos foram conduzidos na seção regional de Minas Gerais, já que o ataque a Bolsonaro ocorreu durante ato de campanha em Juiz de Fora.

Até a publicação desta checagem, o caso do atentado contra Bolsonaro na campanha eleitoral de 2018 tinha dois inquéritos concluídos. Os dois são assinados pelo delegado Rodrigo Morais Fernandes. Ambas as investigações concluíram que Adélio Bispo agiu sozinho.

O primeiro inquérito foi aberto em 6 de setembro, no mesmo dia do atentado, e durou 22 dias. O segundo foi instaurado em 25 de setembro de 2018, para identificar possíveis mandantes do atentado. Encerrado em 12 de maio de 2020, descartou a participação de agremiações partidárias, facções criminosas, grupos terroristas ou mesmo paramilitares em qualquer das fases do ataque.

Rogério Galloro foi nomeado para o cargo de diretor-geral em 27 de fevereiro de 2018 pelo então ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, no governo Temer. Ele foi substituído por Marcelo Valeixo por decisão do então ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública), na gestão Bolsonaro.

Galloro é assessor de Luiz Fux

As postagens também citam passagens de Galloro pelos gabinetes dos ministros Rosa Weber e Luiz Fux. O Estadão Verifica confirmou as nomeações no Diário Oficial da União.

Após deixar o cargo de diretor-geral, Galloro foi nomeado assessor especial do TSE em dezembro de 2018 pela ministra Rosa Weber. Na época, ela era presidente do Tribunal. Quando acabou o período da sua presidência, em maio de 2020, o delegado da PF foi nomeado para o gabinete do ministro Luiz Fux.

Fux se tornou o 60º presidente do STF em 20 de setembro de 2020. Na ocasião, ele chamou Galloro para ser assessor especial no gabinete da presidência do Tribunal. Como mostrou o Estadão, ele ficou responsável por questões de segurança, compliance (na gestão interna do tribunal) e relações interinstitucionais.

Ataques após entrevista de Jair Bolsonaro

Galloro se tornou alvo de ataques nas redes sociais por ter sido o diretor-geral da PF na época em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitou a abertura de uma investigação sobre uma invasão a seus sistemas internos, em 2018. O caso ganhou destaque este mês quando a investigação foi citada por Jair Bolsonaro em uma entrevista a uma rádio na qual ele afirma que hackers teriam tido acesso à programação das urnas eletrônicas.

O presidente publicou o inquérito sigiloso em seu Twitter. O TSE contestou Bolsonaro dizendo que o ataque não comprometeu a integridade das eleições e apresentou notícia-crime contra ele pelo vazamento da investigação.

Nos documentos publicados na rede social de Bolsonaro, é possível ver que a ministra Rosa Weber pediu à PF que investigasse a suposta invasão aos sistemas internos do TSE. Quem avisou o Tribunal do ataque foi o portal de tecnologia TecMundo, que recebeu e-mails do suposto hacker.

O pedido de inquérito foi feito a Rogério Galloro porque ele era diretor-geral da Polícia Federal na época. Quem deu encaminhamento às investigações foi o corregedor regional Rodrigo da Silva Bittencourt, enviando o pedido de abertura de inquérito para a Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado. O chefe da delegacia, Hugo de Barros Correia, determinou que o delegado Victor Neves Feitosa Campos instaurasse o inquérito, o que ele fez.

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