Postagem falsamente atribuída a juiz é usada para atacar Jean Wyllys
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Postagem falsamente atribuída a juiz é usada para atacar Jean Wyllys

Boato antigo voltou a viralizar com falsa denúncia do MPF de repasse do ex-deputado federal a Adélio Bispo, autor de atentado contra Jair Bolsonaro

Pedro Prata

21 de setembro de 2020 | 18h35

Um boato antigo que diz que o ex-deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) teria pagado R$ 50 mil ao advogado de Adélio Bispo, preso por dar uma facada no então candidato à Presidência Jair Bolsonaro, voltou a viralizar nas redes sociais. Uma postagem com esta alegação falsa foi visualizada 29,7 mil vezes nas últimas 24h no Instagram.

Suposta publicação do juiz federal é montagem. Foto: Reprodução

O boato inventa que o Ministério Público Federal (MPF) teria identificado o suposto repasse de Jean Wyllys ao advogado de Adélio. O Estadão Verifica já checou este conteúdo em 2019. Na época, o Ministério Público Federal em Minas Gerais, responsável pela investigação na época, afirmou que “a acusação é improcedente”. O advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior, responsável pelo caso de Adélio, também negou ter recebido qualquer quantia do ex-parlamentar. 

Este conteúdo foi resgatado nas redes sociais com cara nova. Desta vez, ele foi publicado de forma a passar a impressão de que o juiz federal Marcelo Bretas, responsável pelos casos da Lava Jato no Rio de Janeiro, teria compartilhado a peça de desinformação.

Não encontramos a publicação no Instagram oficial de Bretas. Além disso, o boato contém um erro que permite concluir se tratar de montagem. A palavra que deveria constar acima da postagem deveria ser “mcbretas”, nome de usuário que o juiz federal utiliza também no Twitter. Em vez disso, aparece “Marcelo Bretas”, nome que aparece somente quando se abre a página do perfil do usuário.

Montagem (esq.) contém erro: nome pessoal aparece onde deveria aparecer nome de usuário, como na postagem verdadeira (dir.). Foto: Reprodução

Não é a primeira vez que a figura do juiz federal é usada em peças de desinformação. Em junho, viralizou uma montagem que creditava a ele ataques a medidas de combate à pandemia de covid-19 e defesa do medicamento hidroxicloroquina, sem evidência científica.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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