É falso que Marcelo Bretas tenha publicado post com defesa da hidroxicloroquina
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É falso que Marcelo Bretas tenha publicado post com defesa da hidroxicloroquina

Conta que fez post com críticas à construção de hospitais de campanha não pertence ao juiz federal

Pedro Prata

15 de junho de 2020 | 18h33

Um boato que viralizou nas redes sociais utiliza um perfil falso do juiz federal Marcelo Bretas para atacar medidas de combate à pandemia de covid-19. Bretas, responsável pela Operação Lava Jato no Rio, negou que tenha feito os comentários em redes sociais. Mesmo assim, uma das publicações que mais viralizou foi vista mais de 96 mil vezes em 24 horas.

“A publicação não é autêntica. A ‘conta’ em questão não me pertence, apesar de ostentar minha fotografia”, pronunciou-se o magistrado em sua conta oficial no Twitter em 14 de maio de 2020.

Marcelo Bretas foi internado em 4 de maio em um hospital da Zona Sul do Rio após ser diagnosticado com covid-19. Ele ficou sob acompanhamento por dez dias. Seu quadro de saúde permaneceu estável.

Marcelo Bretas afirmou que não é autêntica a conta utilizada em boatos nas redes sociais. Foto: André Dusek/Estadão

O texto falsamente atribuído ao juiz federal faz questionamentos sobre a construção de hospitais de campanha e a aquisição de respiradores para tratar pacientes com covid-19 em estado grave. Traz também uma defesa do medicamento hidroxicloroquina.

A hidroxicloroquina é um antimalárico que se tornou o centro da disputa ideológica em torno da pandemia de covid-19. Defensores acreditam que ela poderia ser usada para deter o agravamento da doença e, assim, evitaria a necessidade de internações — o que tornaria desnecessário o investimento público na construção de novos leitos. Embora não existam estudos científicos que comprovem sua eficácia, autoridades como o presidente Jair Bolsonaro defendem seu uso no tratamento dos pacientes. Defensores do medicamento acusam autoridades opositoras de se beneficiar financeiramente das internações.

A Polícia Federal deflagra operações durante a pandemia para apurar fraudes na compra de respiradores. Em algumas localidades, os equipamentos adquiridos em transações milionárias precisaram ser devolvidos por não poderem ser usados. As investigações também se voltaram para a construção de hospitais de campanha. No Rio de Janeiro, a PF fez buscas na casa do governador Wilson Witzel (PSC), por suspeitas de desvios de recursos.

As denúncias de corrupção, porém, causaram uma série de boatos nas redes sociais. Os principais alvos são prefeitos e governadores, responsáveis pela adoção de medidas contra o novo coronavírus nos Estados e municípios.

Este boato também foi checado pela Lupa e Aos Fatos.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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