É montagem imagem de Caetano Veloso segurando camiseta com ofensa a Bolsonaro
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É montagem imagem de Caetano Veloso segurando camiseta com ofensa a Bolsonaro

Presente da ex-deputada Manuela D’Ávila, peça originalmente continha referência a investigação criminal contra um dos filhos do presidente

Pedro Prata

14 de setembro de 2020 | 13h24

É montagem uma foto que mostra o cantor Caetano Veloso segurando uma camiseta com ofensa ao presidente Jair Bolsonaro. Na imagem original, a camisa continha uma menção à investigação sobre um suposto esquema de rachadinhas no gabinete do filho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). A peça foi presente da ex-deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB-RS), candidata a prefeita de Porto Alegre, que também aparece na foto. Este conteúdo foi compartilhado 3,3 mil vezes no Facebook.

“Presidente louco, podemos lhe defecar hoje?”, lê-se na imagem alterada digitalmente. A montagem tem sido compartilhada com um apelo para “boicotar o show” do cantor.

Imagem original foi modificada digitalmente para incluir ofensa ao presidente Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução

O mecanismo de busca reversa de imagens do Google permite localizar outras vezes em que fotos iguais ou muito semelhantes foram publicadas anteriormente. Assim, foi possível identificar que Manuela D’Ávila postou a foto em seu Facebook no dia 8 de fevereiro de 2019.

A camiseta originalmente dizia “Orange is the new Queiroz” (“Laranja é o novo Queiroz”, em tradução livre). Ela faz paródia com o nome da série “Orange is the new black” (“Laranja é o novo preto”) para fazer referência à investigação de suposto esquema de rachadinhas no gabinete de Flávio Bolsonaro quando ele era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

‘Orange is the new Queiroz’: ‘Laranja é o novo Queiroz’, lê-se na camiseta. Foto: Facebook/@manueladavila/Reprodução

Investigação das rachadinhas

O filho mais velho do presidente é alvo de inquérito do Ministério Público do Rio de Janeiro que apura se ele teria montado esquema de lavagem de dinheiro, organização criminosa e peculato na Alerj. Segundo a Promotoria, Flávio teria se beneficiado da “rachadinha”, prática que reverte parte dos salários dos funcionários do gabinete em benefício pessoal do deputado.

Fabricio Queiroz é apontado pelos promotores como peça central do esquema. Documentos obtidos por meio da quebra de sigilo de sua conta bancária mostram repasses a Flávio e também à primeira-dama, Michelle Bolsonaro. O MP já terminou a investigação e encaminhou os resultados para o Procurador-Geral do Estado. Agora o órgão deve apresentar denúncia contra o senador ou arquivar o caso.

Este conteúdo foi checado pela Agência Lupa e pelo site português Observador.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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