É falso que Liga Árabe seja o 3º maior parceiro comercial do Brasil

É falso que Liga Árabe seja o 3º maior parceiro comercial do Brasil

Bloco fica atrás dos principais parceiros China, Estados Unidos, União Europeia e Mercosul

Pedro Prata

23 de novembro de 2021 | 13h02

Enquanto Jair Bolsonaro visitava países do Golfo Pérsico atrás de investimentos, circulou nas redes sociais uma postagem que dizia que a Liga Árabe teria se tornado o 3º maior parceiro comercial do Brasil. O post no Facebook, feito com o objetivo de engrandecer a viagem do presidente, contém uma alegação falsa. Considerando apenas grupos de países, os maiores parceiros do Brasil são a União Europeia, o Mercosul e a Associação de Nações do Sudeste Asiático. Este conteúdo foi compartilhado ao menos 32 mil vezes.

Países da Liga Árabe não ficaram entre os dez maiores exportadores e importadores, em 2020. Foto: Reprodução

A Liga Árabe é uma organização regional de países árabes do Oriente Médio e partes da África. Foi criada em 1945 para fortalecer relações políticas, culturais, econômicas e sociais. Também há um tratado de defesa mútua e resolução de conflitos entre seus integrantes. A Primavera Árabe e a guerra civil na Síria são dois exemplos de situações em que a organização se viu forçada a intervir.

A Secretaria de Comércio Exterior disponibiliza informações sobre importação, exportação e balança comercial em uma página do Ministério da Economia. A Liga Árabe não aparece entre os três maiores parceiros comerciais do Brasil nem no acumulado de janeiro a novembro de 2021, nem em 2020.

Considerando cada país individualmente, os três maiores parceiros comerciais do Brasil, em 2020, foram: China (US$ 102,6 bilhões), Estados Unidos (US$ 49,3 bilhões) e Argentina (US$ 16,4 bilhões). Nenhum país da Liga Árabe figura entre os dez maiores parceiros. Esse ranking considera a soma das exportações e importações, chamada de corrente de comércio.

Os dados também podem ser comparados por blocos de países seguindo critérios étnicos, geográficos, econômicos, políticos, entre outros. A Liga Árabe não consta na lista disponibilizada na página de consulta. O Ministério da Economia informou por e-mail que “a lista do sistema é um padrão para as divulgações estatísticas com referência em agregações usuais de organismos internacionais”.

O ministério sugeriu que a reportagem fizesse o compilado dos 22 países membros da Liga Árabe para então comparar com os blocos já definidos no sistema. Este grupo de países teve US$ 16,8 bilhões na soma de importações e exportações com o Brasil, em 2020. Além de ficar atrás de países individualmente, como China e Estados Unidos, a Liga Árabe também fica atrás dos blocos econômicos da União Europeia (US$ 57,9 bilhões) e do Mercosul (US$ 24,3 bilhões), além da Associação de Nações do Sudeste Asiático (US$ 21,4 bilhões).

Ou seja: a única forma de posicionar a Liga Árabe como o 3º maior parceiro comercial do Brasil seria somar os valores de importações e exportações dos 22 integrantes da organização regional e comparar esse total com a corrente de comércio de cada país parceiro, individualmente. Nesse caso, o volume comercializado com a Liga Árabe seria ligeiramente superior ao da Argentina — considerando que a nação vizinha enfrenta forte crise econômica. De qualquer forma, não seria correto comparar um bloco de países a parceiros individuais.

O presidente Jair Bolsonaro fez uma viagem de seis dias pelo Golfo Pérsico para se encontrar com autoridades dos Emirados Árabes Unidos (EAU), Bahrein e Catar. Ele inaugurou uma embaixada brasileira no Bahrein e visitou o estádio onde será disputada a final da Copa do Mundo de 2022, no Catar. A principal intenção da viagem era atrair investimentos estrangeiros.

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