Pesquisa que aponta Bolsonaro com 45% das intenções de voto é enganosa
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Pesquisa que aponta Bolsonaro com 45% das intenções de voto é enganosa

Legislação eleitoral não considera válidas pesquisas não registradas e as informações publicadas no site da organização que a teria realizado são vagas

Estadão Verifica

13 Setembro 2018 | 17h20

checagem abaixo foi publicada pelo Projeto Comprova. A verificação foi realizada por uma equipe de jornalistas do Estadão, SBT e Nexo. Outras redações concordaram com a checagem, no processo conhecido como “crosscheck”: Gazeta Online, revista piauí, Jornal do Commercio e UOL.

Projeto Comprova é uma coalizão de 24 veículos de mídia com o objetivo de combater a desinformação durante o período eleitoral. Você pode sugerir checagens por meio do número de WhatsApp (11) 97795-0022.

Não há evidências de que publicações das redes sociais que atribuem 45% ao candidato Jair Bolsonaro (PSL) sejam resultado de uma pesquisa eleitoral confiável. Os posts que divulgam a pesquisa afirmam que o capitão da reserva estaria perto da vitória no primeiro turno. De acordo com a legislação eleitoral, enquetes do tipo não são válidas, pois não cumprem uma série de exigências, como a divulgação de dados e metodologia, o registro oficial e prestação de contas.

Uma das versões da publicação diz que a pesquisa foi feita pela “agência americana que previu com exatidão a vitória de Trump nos EUA”. Não há evidência que a Encuestas Digitales é americana nem que previu a vitória eleitoral do presidente americano.

As postagens incluem um gráfico, no qual nenhum dos outros candidatos alcança 10%, que tem origem no site Encuestas Digitales. O site diz que realiza pesquisas eleitorais com métodos modernos, diferente do que chama de “pesquisas tradicionais” e que analisa redes sociais e buscas na internet para determinar os índices dos candidatos, mas não divulga dados detalhados nem a metodologia utilizada.

Uma explicação encontrada no site Encuestas Digitales detalha que os números atribuídos a cada candidato não representam intenções de voto, como é o caso das principais pesquisas eleitorais. Diz apenas que os números retratam uma “projeção de vitória”, sem deixar claro o que isso significa.

Segundo o site, o serviço está baseado numa metodologia mais sofisticada e semelhante a do site de jornalismo de dados americano FiveThirtyEight sem, no entanto, deixar claro o que seria essa versão mais aprimorada da apuração das informações. Além disso, pesquisas digitais não representam os 39% da população que ainda não tem acesso à internet, como mostra a Pesquisa TIC Domicílios, apresentada em julho deste ano pelo Comitê Gestor da Internet (CGI.br).

Ao utilizar um serviço que verifica os dados dos endereços (URL) dos sites, como o IP Checker, foi constatado que o domínio “www.encuestasdigitales.com” foi criado no dia 30 de julho de 2018, com validade até 2019. A primeira pesquisa relativa ao Brasil foi publicada pela suposta empresa em agosto.

O site Politz também publicou a pesquisa feita pelo Encuestas Digitales, afirmando que o tracking acertou previsões da vitória de Donald Trump e do Brexit. No entanto, o presidente americano foi eleito em 2016 e a saída britânica da União Europeia (Brexit) foi aprovada em referendo também em 2016. Ou seja, antes do registro do site Encuestas Digitales.

O site Encuestas Digitales tem erros básicos de texto em espanhol e não deixa claro qual é a sua metodologia de trabalho e quem são seus clientes. Também não há disponível nenhum ponto de contato com a organização.

Até o dia 13 de setembro, ao menos três publicações com o gráfico da pesquisa tiveram grande repercussão em páginas no Facebook: “Movimento Avança Brasil” (mais de mil compartilhamentos, publicado em 10 de setembro); “Mulheres Unidas A FAVOR do Bolsonaro” (mais de 17 mil compartilhamentos, publicado em 12 de setembro); e “Jair Bolsonaro 2018, a última Esperança da Nação” (mais de de 4.,9 mil compartilhamentos, publicado em 12 de setembro).

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