É falso que Celso de Mello tenha feito declaração em favor da pedofilia
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É falso que Celso de Mello tenha feito declaração em favor da pedofilia

Boato contra decano do STF começou a circular na época da votação sobre prisão em segunda instância e voltou a ganhar força no Facebook nesta semana

Alessandra Monnerat

18 de agosto de 2020 | 17h56

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello é alvo de um boato que o acusa de ter feito uma declaração a favor da pedofilia. Postagens que somam mais de 2,8 mil compartilhamentos no Facebook alegam que o magistrado teria afirmado que “todo amor é lindo e deve ser válido”, ao votar a favor de que pedófilos nunca fossem presos. 

Nada disso é verdade: não há evidências de que o ministro tenha dito essa frase ou que tenha proferido um voto nesse sentido. Não existe registro da declaração falsamente atribuída a Celso de Mello, nem em publicações da imprensa, nem no portal do STF. A assessoria de imprensa do Tribunal também desmentiu a fala.

O decano do STF, Celso de Mello Foto: Gabriela Biló/Estadão

Postagens com a mesma frase já circulavam pelas redes sociais desde 2019, quando foram desmentidas por várias agências de checagem. Na época, os magistrados contrários à prisão em segunda instância foram alvo de boatos falsos. O Estadão Verifica mostrou na ocasião que era falso que a ministra Rosa Weber tivesse minimizado o crime de estupro.

Celso de Mello será responsável pelo voto decisivo no julgamento sobre a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro na Segunda Turma do STF. Ele tem decidido contra a Operação Lava Jato nas principais votações sobre o assunto. O recurso feito pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode anular o processo do triplex de Guarujá.

Agência Lupa, Aos Fatos, Boatos.Org e Fato ou Fake também publicaram checagens sobre essa frase.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

 

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