É falso que Dilma Rousseff tenha pagado 6 mil euros por prato na França

É falso que Dilma Rousseff tenha pagado 6 mil euros por prato na França

Para exaltar Bolsonaro, postagens tiram de contexto reportagem antiga sobre ex-presidente petista

Pedro Prata

23 de setembro de 2021 | 10h00

É falso que Dilma Rousseff (PT) tenha gastado “6 mil euros por um prato” na França, como alegam postagens no Facebook. Esses posts tiram de contexto uma manchete do portal Terra sobre um jantar oferecido pelo então presidente francês François Hollande em homenagem a ela. A cifra em euros se refere ao valor do aparelho de jantar, não da comida; o preço não foi custeado pela ex-presidente brasileira.

O post diz: “Prefiro um presidente que come pizza em pé do lado de fora do restaurante do que os ‘pais dos pobres’ que gastavam 6 mil euros por um prato em jantar!”. Ele faz referência à viagem de Jair Bolsonaro (sem partido) a Nova York nesta segunda-feira, 20, onde o presidente abriu os discursos na Assembleia-Geral da ONU. Bolsonaro e ministros foram fotografados comendo pizza no lado externo de um restaurante.

A manchete utilizada pelo boato foi publicada pelo Terra em 12 de dezembro de 2012 e dá detalhes sobre um jantar em homenagem a Dilma que contou com a presença do alto escalão do governo de Hollande e celebridades francesas.

Foto: Reprodução

Os seis mil euros citados na postagem enganosa referem-se ao valor dos pratos de porcelana onde foram servidas as refeições. Eles foram fabricados à mão pela marca Puiforcat e estampavam a inscrição “Palácio do Eliseu” no verso. Portanto, a ex-presidente não pagou por eles.

Segundo a reportagem, o cardápio promovido pelo governo francês contou com “vieiras marinadas”, “tartare de salmão defumado ao molho de pimenta rosada” e “um tenro frango de Bresse gratinado com parmesão, acompanhado de suflê de batatas com cenouras”.

Assembleia-Geral da ONU

O presidente Bolsonaro participou nesta semana da 76ª Assembleia-Geral da ONU. Como de praxe, o Brasil abriu o evento. Bolsonaro fez ao menos dez alegações enganosas em seu discurso e foi duramente criticado por especialistas de diversas áreas.

Um dia antes, ele comeu pizza em uma calçada de Nova York próximo ao local em que estava hospedado. Uma foto mostrando a cena foi compartilhada pelo ministro Gilson Machado (Turismo). Na cidade, restaurantes só podem permitir a entrada de pessoas que já foram vacinadas contra a covid-19 — Bolsonaro alega não ter sido vacinado ainda. A pizzaria não possui espaço interno para refeições.

Esse conteúdo também foi checado por Aos Fatos.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

 

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