Boato adultera capa de ‘Veja’ para atribuir a Lula declaração falsa sobre ‘favores’ do STF
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Boato adultera capa de ‘Veja’ para atribuir a Lula declaração falsa sobre ‘favores’ do STF

Montagem circula nas redes sociais após plenário do Supremo confirmar a anulação das condenações do ex-presidente nos processos da Operação Lava Jato

Samuel Lima, especial para o Estadão

16 de abril de 2021 | 17h56

Circula nas redes sociais uma capa adulterada de uma edição antiga da Veja, contendo uma foto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e supostas declarações sobre troca de favores com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O Estadão Verifica consultou o acervo digital da revista e confirmou que se trata de montagem.

Boato adultera capa da revista Veja para atribuir declaração falsa a Lula. Foto: Reprodução / Arte: Estadão

As postagens falsas utilizam a imagem da edição nº. 2436 de Veja, publicada em 29 de julho de 2015. A manchete verdadeira da revista era a frase “A vez dele”, referente a uma reportagem que menciona tratativas para delação premiada do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro com o Ministério Público Federal (MPF).

Já a montagem modifica digitalmente a foto para que Lula apareça chorando e troca o título para “Lula desabafa: eu botei Tóffoli (sic) no STF, o Gilmar me deve favores, sou amigo do Marco Aurélio, e Lewandowsky (sic) nunca me traiu”. Não há registro dessa declaração atribuída ao petista na imprensa. 

Os nomes de dois ministros do STF — Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski — estão com a grafia incorreta nas frases atribuídas a Lula na montagem. O cabeçalho também foi alterado para mostrar outras informações que não conferem com o acervo digital da Veja, disponível para assinantes. A edição “1572” foi publicada em 11 de novembro de 1998 e nenhuma revista circulou na data “Abril 26 2016”. 

Uma das versões do boato teve mais de 3,7 mil compartilhamentos desde quarta-feira, 14 de abril. Na mesma data, o plenário do STF confirmou a decisão que derrubou condenações de Lula impostas pela Operação Lava Jato e manteve o petista elegível e apto a disputar as próximas eleições presidenciais, por 8 votos a 3. 

O Supremo referendou a decisão do relator da Lava Jato, ministro Edson Fachin, que considerou no mês passado que a Justiça Federal de Curitiba não era competente para investigar Lula. A maioria dos ministros entendeu que as acusações levantadas contra o ex-presidente não diziam respeito diretamente ao esquema bilionário de corrupção na Petrobras investigado pela operação.

Em relação aos nomes citados na postagem falsa, votaram a favor de anular as condenações de Lula os ministros Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes. Marco Aurélio Mello, no entanto, foi contrário à decisão. 

O Estadão Verifica já desmentiu uma série de conteúdos que falsificaram capas de Veja. Uma delas afirmava que Lula ameaçou Fachin. Outra relacionava a família do presidente Jair Bolsonaro com a apreensão de cocaína em um avião da Força Aérea Brasileira. Uma terceira peça alterou uma captura de tela do site de Veja para dizer que o governador João Doria (PSDB) pensava em restringir a energia elétrica em São Paulo.

Esses conteúdos são chamados de impostores, pois imitam fontes genuínas para espalhar desinformação. Desconfie de manchetes alarmistas, denúncias incompatíveis com o noticiário, erros de português e outros elementos estranhos nas imagens, como a presença de letras maiúsculas e sinais de interrogação e exclamação em sequência. Em caso de dúvida, pesquise antes de compartilhar ou encaminhe para o WhatsApp do Estadão Verifica: (11) 97683-7490.

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