Três meses depois daquele banho de mar

Três meses depois daquele banho de mar

Coluna do Estadão

05 de abril de 2021 | 05h00

Presidente Jair Bolsonaro em Praia Grande (SP), em janeiro deste ano. FOTO: JAIR BOLSONARO/INSTAGRAM

Se uma imagem vale mais do que mil palavras, as fotos de Jair Bolsonaro provocando aglomerações em Praia Grande (SP) nas suas férias de R$ 2,4 milhões são a síntese da conduta do presidente na tragédia das 331 mil mortes por covid-19. “Já dava para saber que chegaríamos a este ponto. Desde janeiro a gente está avisando: o que aconteceu em Manaus acontecerá no resto do Brasil”, diz a epidemiologista Ethel Maciel. Três meses depois do mergulho, a Baixada Santista conta seus mortos, e as projeções para o abril da pandemia no País são péssimas.

Vale… A ocupação de leitos de covid-19 nos municípios da Baixada Santista está em torno de 80% e, em leitos de UTI, beirando os 90%, segundo dados oficiais. Na virada do ano, enquanto a ciência pedia restrições, Bolsonaro dizia que a pandemia estava no fim.

…lembrar. Em Praia Grande, onde Bolsonaro tomou o banho de mar, havia, até sexta-feira passada, 2, quase 12,5 mil casos confirmados de covid-19. Desde o dia 1.º de janeiro, foram ao menos 119 mortes pela covid-19 na cidade, ante 313 de todo o ano passado.

Tristeza. O vídeo do prefeito de Mongaguá, Márcio Melo Gomes (Republicanos), chorando a morte de familiares e defendendo medidas à restrição de circulação comoveu o País. As duas cidades são vizinhas.

CLICK. Jair Bolsonaro na Praia Grande: enquanto presidente provocava aglomeração, banhistas gritavam “mito” e atacavam o governador de São Paulo, João Doria.

FOTO: JAIR BOLSONARO/INSTAGRAM

Conta alta. Nas mesmas férias de R$ 2,4 milhões, segundo dados obtidos oficialmente pelo deputado Elias Vaz (PSB-GO), Jair Bolsonaro também provocou aglomerações no litoral de Santa Catarina. Sempre sem máscara, obviamente.

Conta outra. E a Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência agora quer convencer o País de que o presidente sempre adotou atitude responsável.

Em busca… A comissão da covid-19 no Senado marcou para o dia 12 deste mês audiência pública na qual debaterá o uso de fábricas brasileiras de vacinas para animais na produção de imunizantes contra a covid-19 destinados a humanos.

…de saída. Serão convidados o Instituto Butantan, a Fiocruz, os ministérios da Ciência e Tecnologia e Relações Exteriores e a Anvisa.

Prioridade. A possibilidade de utilização das plantas industriais de produção de vacinas para animais na confecção de imunizantes contra a covid-19 para humanos foi apresentada a Bolsonaro, que pediu diretamente a Marcelo Queiroga prioridade no assunto.

Vazão. De acordo com o senador Wellington Fagundes (PL-MT), que tem sido um interlocutor dessa indústria, os laboratórios hoje usados para produzir vacinas para a pecuária, conseguem se adaptar e iniciar a produção de imunizantes contra a covid-19 em 90 dias e podem chegar a 400 milhões de doses.

Celeridade. “Os órgãos responsáveis precisam dar uma resposta rápida, pessoas estão morrendo”, afirmou Fagundes.

SINAIS PARTICULARES.
Jair Bolsonaro, presidente da República

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES/ESTADÃO

Encosta… Mais um fator que contribuiu para a derrocada de Fernando Azevedo e Silva: Eduardo Pazuello foi chorar as pitangas no colo do presidente: reclamou por ter sido chamado de volta para o Exército pelo então ministro.

…sua cabecinha. Segundo a Coluna apurou, o presidente se emocionou.

PRONTO, FALEI!

Fernando Henrique Cardoso. FOTO: ALEX SILVA/ESTADÃO

Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República: “Há que juntar as forças capazes de se contrapor a estrebuchamentos autoritários eventuais”, em artigo no Estadão sobre a conjuntura política.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA

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