Secom na narrativa do ‘defensor raiz’ da vacina

Secom na narrativa do ‘defensor raiz’ da vacina

Coluna do Estadão

04 de abril de 2021 | 05h00

Presidente Jair Bolsonaro. FOTO: EVARISTO SA/AFP

Com auxílio da publicidade oficial e sempre contando com sua controversa rede de apoio digital, Jair Bolsonaro intensificou a narrativa para reagir à pressão pelo descontrole da pandemia no País. Ao fim e ao cabo, o objetivo é empurrar a culpa da tragédia aos Estados, inclusive por erros e lentidão na vacinação, e atacar até a União Europeia, que estaria atrasada na imunização em relação ao Brasil. Na base da construção do personagem “Bolsonaro, defensor raiz da vacina”, está a Secom: “Governo trabalhando, desde o início, na busca por vacinas”.

Pode… A brusca mudança de postura no discurso do governo federal em relação à vacina contra a covid-19 nos canais institucionais de comunicação ensejou debate sobre a legalidade de se criar uma narrativa e divulgá-la oficialmente.

…isso? Para estudiosos do tema, quando a Secretaria de Comunicação (Secom) diz que o governo era, desde sempre, pró-vacinas e faz a defesa pessoal de Bolsonaro, está incorrendo em ofensa aos princípios de impessoalidade e de moralidade que norteiam a administração pública.

Sinal vermelho. “A mentira, a simulação ou a desinformação por meio de órgãos estatais, quaisquer que sejam eles, pode resultar, em último caso, em crime de responsabilidade”, afirma Saul Tourinho Leal, professor de Direito.

Segue… Antônio Rodrigo Machado relembra três episódios: 1) o presidente instaurou em 2020 o debate sobre a obrigatoriedade da vacinação, trazendo insegurança e medo à população; 2) fez campanha explícita contra a vacina do Butantã; e 3) recusou o imunizante da Pfizer.

…o fio. “Quando o presidente usa recursos públicos para a finalidade de proteção pessoal diante de seus atos contrários à sociedade, está fazendo uso de dinheiro do erário em favor pessoal. Portanto, temos uma prática que ofende a moralidade administrativa e a impessoalidade”, afirma Machado, que faz parte do Instituto Brasiliense do Direito Público (IDP).

Registro. Procurada, a Secom não respondeu aos questionamentos da Coluna sobre o tema.

Ainda… Ex-embaixador do Brasil em Washington (EUA), Sérgio Amaral falou à Coluna sobre a troca no comando do Itamaraty: “Temos a chance de ter uma efetiva política externa”. Em janeiro, ele havia dito que o Brasil estava contra o mundo. Sobre Carlos França, Amaral diz: “Pode apaziguar o Itamaraty”.

…esperança. Mas é preciso correção de alguns rumos. “Os temas do clima têm de voltar ao centro da política externa e de uma liderança que o Brasil já teve e perdeu por políticas equivocadas e muitas vezes contrárias ao interesse nacional”, afirma Amaral.

CLICK. Novo comandante do Exército, o gen. Paulo Sérgio Nogueira (à esq.) se encontrou com seus antecessores: Edson Pujol (à dir.) e Eduardo Villas Bôas.

FOTO: EXÉRCITO/DIVULGAÇÃO

Dilema… A adesão de Luciano Huck ao manifesto dos presidenciáveis foi lido como sinal de que o apresentador ainda alimenta a intenção de concorrer ao Planalto no ano que vem.

…hamletiano. As dúvidas de Huck, dividido entre o sonho da Presidência e a carreira de enorme sucesso na TV, têm prazo para acabar, apostam seus interlocutores. A deixa estaria no título do artigo do ex-presidente FHC no Estadão deste domingo (pág. A2): “A hora se aproxima”.

SINAIS PARTICULARES.
Luciano Huck, apresentador de TV

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES/ESTADÃO

PRONTO, FALEI!

Isa Penna. FOTO: JOSE ANTONIO TEIXEIRA/AG. ALESP

Isa Penna, deputada estadual (PSOL-SP): “Um marco para as mulheres, um marco para a democracia e abre precedente inédito no Brasil”, em entrevista ao Estadão sobre a punição de Fernando Cury.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA

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