Nas redes, Bolsonaro impõe desgaste ao STF, mostra levantamento

Nas redes, Bolsonaro impõe desgaste ao STF, mostra levantamento

Alberto Bombig e Matheus Lara

22 de agosto de 2021 | 05h00

Presidente Jair Bolsonaro. FOTO: ISAC NÓBREGA/PR

A valência (sentimento positivo versus negativo) nas redes sociais em relação ao STF tem pesado contra a Corte, principalmente após a prisão de Roberto Jefferson, no dia 13 deste mês, quando houve um pico de menções desfavoráveis, mostra levantamento da Quaest Pesquisa e Consultoria feito para a Coluna. “Jair Bolsonaro já escolheu as armas argumentativas para justificar uma possível derrota eleitoral. Vai colocar a culpa no STF, desacreditar as urnas e o sistema de apuração e se colocar como vítima”, afirma o cientista político Felipe Nunes.

Ressonância. Entre os dias 5 e 18, foram mais de 2 milhões de menções, por quase 250 mil usuários, o que representa aumento de 72% em comparação aos 14 dias anteriores. A hashtag mais comentada foi “STF vergonha nacional”. O perfil mais mencionado? O de Jair Bolsonaro, claro.

Truque. Segundo Nunes, mestre em estatística pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e sócio-fundador da Quaest, Bolsonaro caminha para uma derrota eleitoral em 2022, mas vai construindo narrativa na linha de que não fez o que prometeu porque o sistema não deixou.

Alvo. No período analisado, o principal alvo dos bolsonaristas nas redes foi o ministro Luís Roberto Barroso por conta da disputa em torno do voto impresso com o presidente.

Caos. “Na medida em que Bolsonaro aposta em um cenário irreconciliável de ódio, ele consegue ter sucesso”, diz o cientista político Marco Konopacki, da Syracuse University (EUA).

Caos 2. “Bolsonaristas não têm necessariamente o compromisso de construir uma narrativa positiva. Para eles, fechar o diálogo e aumentar o tom de ódio e violência são um ponto positivo”, afirma Konopacki.

Berrante. A disputa entre esquerda e direita pela Paulista no Sete de Setembro ganhou um ingrediente novo: o relatório da PGR que embasou a operação contra o cantor Sérgio Reis.

SINAIS PARTICULARES
Sérgio Reis, cantor ex-deputado federal

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES/ESTADÃO

Berrante 2. A esquerda alega que a argumentação da PGR é suficiente para que a Justiça negue à direita a prerrogativa de se manifestar na Avenida Paulista.

Até ela. Em manifestação ao Supremo, a PGR disse que os atos da direita planejados para o feriado nacional são antidemocráticos.

Ajuda aí. Líderes do movimento Fora Bolsonaro decidiram buscar o apoio do governador João Doria (PSDB) para que a manifestação venha a ser realizada na Avenida Paulista. A PM diz que a prioridade é dos grupos a favor de Bolsonaro.

Expectativa. “As manifestações convocadas pelos bolsonaristas no Sete de Setembro são assumidamente antidemocráticas”, diz Josué Rocha, do MTST.

Boa questão. “Como pode a Paulista ser cedida para grupos investigados por atacar a ordem, em detrimento de uma manifestação democrática?”, diz Raimundo Bonfim, da Central de Movimentos Populares.

CLICK. O governador João Doria, em campanha pelo direito de ser candidato a presidente pelo PSDB em 2022, foi recebido pela militância tucana em Vitória (ES).

FOTO: COLUNA DO ESTADÃO

Audiência. Membros da sociedade civil vão debater a política ambiental com o vice-presidente Hamilton Mourão e o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Pereira Leite, nesta segunda-feira, 23, em encontro virtual.

Cobrança. Mônica Sodré, da Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (Raps), e João Paulo Capobianco, do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), falarão sobre o tema. “O recorde de desmatamento no País é resultado de uma escolha desse governo pelo desmonte dos órgãos e ações de controle e proteção”, afirma Mônica.

PRONTO, FALEI!

Marcel van Hattem. FOTO: NAJARA ARAÚJO/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Marcel van Hattem (Novo-RS), deputado federal: “É a Constituição que nos dá a garantia da liberdade de expressão e de manifestação no País. Parlamentares não podem sofrer retaliações por opiniões.”

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