Conexão Curitiba-Rio para pressionar Lulinha

Conexão Curitiba-Rio para pressionar Lulinha

Coluna do Estadão

20 de dezembro de 2019 | 05h00

Fabio Luiz lula da silva (D), entre parentes, durante cerimônia de posse de releição do presidente Lula, no palacio do planalto FOTO: DIDA SAMPAIO/AE

Quem acompanha de perto as investigações sobre os negócios de Fábio Luís, o Lulinha, vê uma engenharia em curso no renascimento do caso  simultaneamente em cidades  diferentes. Como o TRF-4 põe em dúvida a competência da vara de Curitiba  para tocar a investigação do filho de Lula, a Lava Jato do Rio estaria de braços abertos para  recebê-la, se ela vier a ser deslocada por ordem da Justiça, como indica a decisão recente de Gebran Neto. As duas forças-tarefa são consideradas ambientes hostis às questões envolvendo  o  ex-presidente.

Oitivas. Três funcionários de Jonas Suassuna, sócio de Lulinha, foram ouvidos pela PF do Rio, em colaboração com a força-tarefa de Curitiba, nesta semana.

Neutralidade. A defesa de Lulinha tenta desvincular o caso dele das investigações na Petrobrás e, portanto, de Curitiba. Os advogados acham que a competência do caso tem de ficar com a vara de São Paulo.

Jogada… No meio jurídico, uma das leituras é a de que a Lava Jato, com a busca e apreensão envolvendo os negócios de Lulinha, deu força e holofotes para a delação de Sérgio Cabral, recusada pelo MPF, porém aceita pela Polícia Federal.

…ensaiada? Em contrapartida, Cabral promete falar sobre supostos repasses da Oi para Jonas Suassuna, sócio de Lulinha, conforme a Folha de S. Paulo.

Estilingue e… A investida do MP do Rio sobre Flávio Bolsonaro deve diminuir consideravelmente a autonomia do clã Bolsonaro em relação ao Legislativo e ao Judiciário, avaliam políticos mais experientes.

…vidraça. No Senado, Flávio terá de se escorar ainda mais em Davi Alcolumbre, que tem matado no peito as provocações ao STF, por onde deverá passar o destino do filho de Jair.

Calma. O PSOL já estuda entrar no Conselho de Ética contra Flávio. Outras siglas de oposição, porém, avaliam que, com uma eventual denúncia ou delação premiada, a representação seria mais efetiva.

Em casa. Alcolumbre tem na presidência do Conselho de Ética um aliado seu: Jayme Campos (DEM-MT).

Vai dar liga? Janaina Paschoal (PSL) articula nos bastidores uma chapa para concorrer à Prefeitura de São Paulo nas eleições de 2020. O objetivo da deputada estadual, recordista de votos em 2018, é unir Andrea Matarazzo (PSD) e o colega dela Arthur do Val, o Mamãe Falei (sem partido).

Marqueteira. A autora do impeachment de Dilma já tem até slogan para a campanha, no caso de Matarazzo e do Val se decidirem entre quem entraria como prefeito e quem entraria como vice numa eventual chapa: “Experiência e ousadia”.

SINAIS PARTICULARES.
Og Fernandes, ministro do STJ

Kleber Sales

Sem javanês. O ministro Og Fernandes, do STJ, brincou ao explicar nas redes sociais o que seria julgado na última sessão da Corte Especial do tribunal. Após citar embargos de declaração e outros termos jurídicos, finalizou: “Acho que 2020 começou mais cedo”.

Fique. Solto, mas cumprindo medidas cautelares, Aldemir Bendine queria viajar no Natal e o Ano Novo. Pediu ao STF para deixar Sorocaba, de 19 de dezembro a 5 de janeiro, mas Gilmar Mendes negou o pedido do ex-presidente da Petrobrás.

Cuma? No Diário Oficial de hoje, o Ministério da Economia fez um “revogaço” de medidas desnecessárias. Anulou 117 portarias, instruções normativas e despachos antigos ou sem sentido. Um deles, da época da ditadura, por exemplo, dizia que auditores poderiam chamar a divisão de censura da PF para suspender espetáculos.

Será? Em feijoada no fim de semana, Lula afirmou em alto e bom som que Fernando Haddad não deve ser candidato a prefeito no ano que vem. Ninguém acreditou.

PRONTO, FALEI!

Randolfe Rodrigues. FOTO: ANDRE DUSEK/ESTADÃO

Randolfe Rodrigues, senador (Rede-AP): “O presidente e o senador Flávio têm que explicar as acusações, não inventar acusadores”, sobre a família Bolsonaro atribuir ação do MP do Rio a Wilson Witzel

COM MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. COLABORARAM DANIEL WETERMAN, RICARDO GALHARDO, JOÃO KER E RAFAEL MORAES MOURA.

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