FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

PSB já vê consenso para candidatura de Joaquim Barbosa

Resistência ao nome do ex-ministro do Supremo é superada internamente, afirma presidente da legenda; reunião nesta semana vai definir calendário de viagens

Eduardo Kattah, Pedro Venceslau e Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

17 Abril 2018 | 05h00

SÃO PAULO E BRASÍLIA - Dez dias depois de se filiar ao PSB, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa já é considerado o virtual candidato do partido à Presidência da República. A resistência inicial a um projeto eleitoral encabeçado pelo ex-ministro foi superada internamente, disse nesta segunda-feira, 16, ao Estado o presidente do PSB, Carlos Siqueira.    

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“Havia dúvidas, mas ao longo do tempo elas foram se atenuando. Hoje (a candidatura) é um consenso. Vai ser possível anunciar em breve”, afirmou Siqueira. A entrada do ex-ministro do STF na arena da disputa presidencial ganhou impulso significativo após a divulgação de pesquisa Datafolha, no domingo.

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Nos cenários que incluem ou excluem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Joaquim Barbosa alcança de 8 a 10 pontos porcentuais e fica à frente ou empatado (sempre dentro da margem de erro) de pré-candidaturas já consolidadas para as eleições 2018, como a de Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT). O resultado deixou o ex-ministro do Supremo impressionado. Segundo um interlocutor, o nome de Barbosa para presidente aparece em um patamar competitivo sem ele “abrir a boca e sem praticamente sair de casa”.

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Nos últimos meses, o ex-ministro do Supremo se manteve recolhido à espera de uma “segurança mínima” do PSB para ingressar no partido. O processo de filiação superou desconfianças mútuas e o ritual do lançamento de Barbosa como candidato já está sendo preparado. Ele deve se reunir na quinta-feira, em Brasília, com a cúpula da sigla e líderes do PSB para discutir um calendário de viagens pelos Estados.

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​Resistências a Joaquim Barbosa perdem força

Antes resistente ao projeto de Joaquim Barbosa, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, passou a considerar que o ex-ministro “se enquadra” no perfil de centro esquerda que o PSB quer e elogia a trajetória dele. Câmara convidou Barbosa para conhecer o modelo de gestão em Pernambuco. O governador, no entanto, é contra anunciar agora a pré-candidatura de Barbosa para presidente.

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A resistência do atual governador de São Paulo, Márcio França (PSB), perdeu força porque ele não conseguiu amarrar o apoio do PSDB de Alckmin à sua candidatura à reeleição. Com isso, o caminho para a filiação de Barbosa ficou aberto. Nesta segunda, França sugeriu uma dobradinha entre o ex-governador tucano e o ex-ministro do Supremo.

Foi a consolidação do nome de Barbosa como possível candidato do PSB ao Planalto que levou o ex-ministro Aldo Rebelo a deixar o partido. Conforme antecipou o estadao.com.br, Aldo foi anunciado nesta segunda como pré-candidato do Solidariedade. Nesse período, o ex-ministro também ganhou aliados internos como o deputado Alessandro Molon (RJ), que deixou a Rede para ingressar no PSB.

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Sempre crítico à atuação dos “caciques” nos partidos, Joaquim Barbosa levou em conta o fato de o PSB ser hoje um partido “sem dono” desde a morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos. Barbosa nunca escondeu sua defesa da possibilidade de candidatura avulsa (sem necessária filiação a uma sigla).

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Após o Datafolha, o recado do partido é que a candidatura agora depende de Barbosa. O marqueteiro argentino Diego Brady já se reuniu uma vez com o ex-ministro, mas tem evitado falar sobre a possível candidatura. Há, porém, uma percepção no PSB de que o relator do julgamento do mensalão no Supremo poderá ser apresentado aos eleitores como alguém capaz de exercer a gestão do País com autoridade, mas comprometido com os valores democráticos. Uma forma de tentar contrapô-lo a Jair Bolsonaro (PSL).

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Joaquim Barbosa no vídeo

Além disso, a aposta é na sua trajetória pessoal. Integrantes da legenda já começaram essa estratégia no domingo, quando divulgaram vídeo em redes sociais e WhatsApp contando a história do ex-ministro, desde sua origem humilde na cidade mineira de Paracatu até sua atuação no STF, e destacando que ele é fluente em quatro idiomas.

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“Joaquim perpassa todas as classes sociais e eleitores. Tem muita gente que diz votar no Bolsonaro por uma questão de revolta e protesto. Ele vai navegar por eleitores de todas as candidaturas”, afirmou Siqueira.

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