Vice do COB, 90, está com ‘psicose aguda, totalmente desorientado’, diz defesa

Vice do COB, 90, está com ‘psicose aguda, totalmente desorientado’, diz defesa

Advogado do nonagenário André Richer informou ao juiz federal Marcelo Bretas que o executivo, alvo de mandado de busca e apreensão da Operação Unfair Play que prendeu Carlos Nuzman, está internado

Julia Affonso

12 Outubro 2017 | 06h00

A defesa do vice-presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), André Gustavo Richer, de 90 anos, informou ao juiz federal Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal, do Rio, que o executivo está internado desde 6 de setembro. O diagnóstico, segundo o defensor, é de ‘psicose aguda’.

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Documento

O nonagenário é investigado na Operação Unfair Play, desdobramento da Lava Jato que investiga a compra de votos para eleger o Rio de Janeiro como cidade olímpica. A primeira fase foi deflagrada em 5 de setembro. O vice do COB foi alvo de mandado de busca e apreensão na segunda etapa da operação, em 5 de outubro.

O presidente afastado do Comitê, Carlos Arthur Nuzman, está preso em caráter preventivo – sem prazo para terminar.

A defesa de André Richer apresentou manifestação a Bretas na terça-feira, 10. “Na data de 4 de outubro de 2017, deferiu medida cautelar de busca e apreensão nos endereços residenciais e profissionais do requerente indicados pelo Ministério Público Federal. No entanto, o requerente, com problemas de saúde, não se encontrava em nenhum dos endereços durante a realização das diligências.”

Segundo a defesa, o executivo tem 90 anos e está ‘totalmente desorientado’. O advogado entregou um receituário médico ao juiz.

“O sr. André Gustavo Richer encontra-se internado neste nosocômio desde o dia 6 de setembro de 2017, devido a quadro de psicose aguda. No momento não encontra-se lúcido e não orientado no tempo e no espaço”, diz o documento.

O advogado Ricardo Cerqueira informou a Bretas que André Richer passou por cirurgia ‘bastante complexa’ na segunda-feira, 9. O procedimento, relata a defesa, durou mais de 6 horas.

“Em decorrência de complicação abdominal se encontra no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do hospital, tudo conforme o incluso receituário médico”, afirmou.

O defensor anotou que André Richer ‘não possui qualquer envolvimento nos fatos relacionados à Operação Unfair Play ou qualquer outra atividade de natureza ilícita’.

“O requerente, por seu advogado, vem a Vossa Excelência requerer a juntada do incluso relatório médico e, ainda, acesso aos autos deste processo a fim de justificar os objetos apreendidos durante a busca e apreensão, bem como para prestar os esclarecimentos necessários à sua defesa, no caso de necessidade”, solicitou a defesa.

Alvo. André Richer presidiu o Comitê entre 1990 e 1995. A partir daquele ano, Carlos Arthur Nuzman assumiu a presidência e André Richer passou a ocupar a vice-presidência do COB.

No pedido a Bretas, que originou a segunda fase da Unfair Play, a força-tarefa da Lava Jato registrou que durante a primeira etapa da operação haviam sido localizados documentos que demandavam ‘aprofundamento na investigação quanto à extensão da participação de André Richer na organização criminosa investigada’.

Um dos documentos é um contrato de mútuo firmado entre André Richer (mutuante) e Carlos Nuzman (mutuário) no valor de R$ 100 mil em maio de 2017. O outro foi localizado no Comitê. Trata-se, segundo os procuradores, de um contrato de comodato firmado entre André Richer (comodante) e Carlos Arthur Nuzman (comodatário), ‘em que aquele dá em comodato a este, pelo período de 3 anos e renovação automática, um imóvel’.

“Tais contratos causam estranheza, ainda mais diante do contexto de práticas criminosas investigadas envolvendo o COB e seu presidente, Carlos Nuzman. Diante do apresentado, faz-se necessária a inclusão de André Gustavo Richer, vice-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro desde o ano de 1995, na presente investigação”, solicitou o Ministério Público Federal na ocasião.