PF faz buscas contra Nuzman

PF faz buscas contra Nuzman

Presidente do COB está sob suspeita em investigação iniciada na França sobre propina de US$ 1,5 milhão

Fausto Macedo e Julia Affonso

05 Setembro 2017 | 06h42

Carlos Arthur Nuzman. Foto: Wilton Junior/Estadão

A Polícia Federal faz buscas nesta terça-feira, 5, contra o presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Carlos Arthur Nuzman, na Operação Unfair Play. O executivo está sob suspeita de investigação iniciada na França sobre propina de US$ 1,5 milhão.

Documento


+ Procuradoria põe Nuzman no topo de ‘engenhosa e complexa relação corrupta’ 

OUTRAS DO BLOG: + PF liga amigo de Temer a fraudes de R$ 1 bi

União quer preferência sobre bilhões recuperadores pela Lava Jato, mas Moro nega

Nuzman foi intimado a depor nesta terça. A investigação mira na compra de votos para a escolha do Rio como sede da Olimpíada 2016.

A Unfair Play foi deflagrada pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pela Receita contra “um esquema criminoso envolvendo o pagamento de propina em troca da contratação de empresas terceirizadas por parte do Governo do Estado do Rio de Janeiro”.

Um procurador francês acompanha a operação, que cumpre outros mandados. As ordens judiciais foram expedidas pelo juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio.

O empresário Artur de Menezes e Eliane Cavalcante, sua sócia, são alvos de mandado de prisão.

Em nota, a PF informou que setenta policiais federais cumprem dois mandados de prisão preventiva e onze mandados de busca e apreensão, expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal/RJ, na cidade do Rio de Janeiro (Leblon, Ipanema, Lagoa, Centro, São Conrado, Barra da Tijuca e Jacaré), no município de Nova Iguaçu/RJ e em Paris/França.

Segundo a PF, as investigações, iniciadas há nove meses, apontam que os pagamentos teriam sido efetuados tanto diretamente com a entrega de dinheiro em espécie, como por meio da celebração de contratos de prestação de serviços fictícios e também por meio do pagamento de despesas pessoais. Além disso, teriam sido realizadas transferências bancárias no exterior para contas de doleiros.

O fatos apurados indicam a possibilidade de participação do dono das empresas terceirizadas em suposto esquema de corrupção internacional para a compra de votos para a escolha da capital fluminense pelo Comitê Olímpico Internacional como sede das Olimpíadas 2016, o que ensejou pedido de cooperação internacional com a França e os Estados Unidos.

Os presos serão indiciados por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

COM A PALAVRA, OS ADVOGADOS NÉLIO MACHADO E SERGIO MAZZILLO, QUE DEFENDEM CARLOS ARTHUR NUZMAN

“No depoimento prestado hoje por nosso cliente, dr. Carlos Arthur Nuzman, na sede da Polícia Federal do Rio de Janeiro, foi esclarecido e reiterado que toda a jornada da Olimpíada da Cidade do Rio de Janeiro, da candidatura à cerimônia de encerramento, foi conduzida dentro da lei e das melhores práticas financeiras, técnicas, operacionais, esportivas e de comunicação. Por isso, os Jogos foram um sucesso reconhecido no mundo inteiro. Como não é do conhecimento dos advogados o interior teor da investigação, tão logo se conceda acesso pelno ao seu conteúdo, todas as indagações serão respondidas.”

Mais conteúdo sobre:

Olimpíada 2016Polícia Federal