Serra diz que campanhas foram ‘dentro da lei’

Serra diz que campanhas foram ‘dentro da lei’

Depoimentos da Odebrecht, OAS e Andrade Gutierrez citam suposto caixa dois ao senador, em 2006

Luiz Vassallo

17 Fevereiro 2018 | 05h00

José Serra. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O senador José Serra negou caixa dois em suas campanhas eleitorais. A candidatura do tucano ao governo estadual de São Paulo em 2006 é citada por ex-executivos da OAS, Andrade Gutierrez e Odebrecht como destinatária de valores não contabilizados, no âmbito de inquérito que investiga supostos desvios em contratos para a construção do Rodoanel.

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Em nota, o senador José Serra (PSDB-SP) disse que “todas as suas campanhas eleitorais foram conduzidas dentro da lei, com as finanças sob responsabilidade do partido”. “E sem nunca oferecer nenhuma contrapartida por doações eleitorais”, ressaltou o tucano por meio de sua assessoria.

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O ex-secretário de Transportes de São Paulo e atual secretário nacional de Aviação Civil, Dario Rais Lopes, negou que tenha pedido recursos ilícitos conforme depoimento de Carlos Henrique Barbosa Lemos, ex-diretor da OAS. “Ele cita um suposto pedido de R$ 30 milhões, feito por terceiros em meu nome. O pedido nunca existiu e os terceiros (‘representantes da Andrade Gutierrez’) não foram por ele identificados”.

A reportagem entrou em contato com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), onde Mário Rodrigues Júnior – ex-diretor da Dersa – ocupa atualmente o cargo de diretor. A assessoria informou que ele não iria se manifestar.

O advogado de Paulo Vieira de Souza, Daniel Bialski, disse que seu cliente “jamais pediu, exigiu ou solicitou qualquer valor para quem quer que seja e, sua menção por estas pessoas se deve ao fato de nunca ter cedido às pressões das chamadas ‘grandes empreiteiras’ que pretendiam exercer monopólio e ditar regras”.

A Dersa informou que a estatal e o governo do Estado “são os grandes interessados acerca do andamento das investigações e ressarcimento dos danos que venham a ser apurados”.

A defesa de Adir Assad disse que ele não iria se manifestar.

A Odebrecht está colaborando com a Justiça no Brasil e nos países em que atua. A Andrade Gutierrez afirmou que apoia toda iniciativa de combate à corrupção. A OAS não se manifestou.

O advogado Paulo Sérgio de Andrade, que defende Eduardo Bittencourt, disse que o ex-conselheiro do TCE “desmente com indignação as acusações feitas”.

A reportagem não localizou os ex-diretores do Metrô, Luiz Carlos Frayse David e Sérgio Brasil ou suas defesas.
A Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos informou que acompanha com atenção os desdobramentos das investigações da Lava Jato