Janot diz que ‘se acordo ruir’ pode pedir prisão de Joesley delator da JBS

Janot diz que ‘se acordo ruir’ pode pedir prisão de Joesley delator da JBS

“Tudo é possível, vamos ver como é que fica a avaliação dessa revisão do acordo”, avisou o procurador-geral da República

Beatriz Bulla e Fábio Serapião, de Brasília

04 Setembro 2017 | 19h28

Joesley Batista. FOTO: AYRTON VIGNOLA/AE

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, avisou nesta segunda-feira, 4, que a imunidade dos delatores da JBS vale apenas se o acordo de delação estiver ‘hígido’. Em pronunciamento, Janot informou que mandou investigar ‘omissão’ de informações em delação da JBS.

Um áudio de 4 horas motivou o pedido de Janot.

“O áudio revela uma conversa entre dois colaboradores que ao que parece eles não sabiam que estavam gravando a si próprios, pelo início da conversa, eles não sabiam operar o aparelho”, afirmou.

Janot manda investigar omissão na delação da JBS

O procurador foi questionado sobre uma possível prisão dos delatores.

“Tudo é possível, vamos ver como é que fica a avaliação dessa revisão do acordo. Eles têm imunidade uma vez que o acordo esteja hígido. Se o acordo ruir total ou parcialmente, essa imunidade não existirá mais”, disse.

OUTRAS DO BLOG: + ENTREVISTA: ‘O que está em jogo não é ministro Gilmar ou o MP, é a credibilidade do Poder Judiciário’

“Sinto que a gente vai ganhar dinheiro pra caramba”, disse aliado de Richa, segundo delator

PF abre Operação Brabo para prender 127 do tráfico

Delator revela R$ 12 milhões desviados de obras para campanha de Richa

Lava Jato é a ‘revolução copérnica da Justiça criminal’

Janot informou. “Determinei hoje a abertura de investigação para apurar indícios de omissão de informações sobre prática de crimes no processo de negociação para assinatura do acordo de colaboração premiada no caso JBS.”

“Áudios com conteúdo grave, eu diria gravíssimo, foram obtidos pelo Ministério Público Federal na semana passada, precisamente quinta-feira, às 19h. A análise de tal gravação revelou diálogo entre dois colaboradores com referências indevidas a Procuradoria-Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal. Tais áudios também contêm indícios, segundo esses dois colaboradores, de conduta em tese criminosa atribuída ao ex-procurador Marcelo Miller.”

COM A PALAVRA, A J&F
A defesa dos executivos da J&F junto ao Ministério Público Federal informa que a interpretação precipitada dada ao material entregue pelos próprios executivos à Procuradoria-Geral da República será rapidamente esclarecida, assim que a gravação for melhor examinada.

Conforme declarou a própria PGR, em nota oficial, o diálogo em questão é composto de “meras elucubrações, sem qualquer respaldo fático”. Ou seja, apenas cogitações de hipóteses — não houve uma palavra sequer a comprometer autoridades.

É verdade que ao longo do processo de decisão que levou ao acordo de colaboração, diversos profissionais foram ouvidos — mas em momento algum houve qualquer tipo de contaminação que possa comprometer o ato de boa-fé dos colaboradores.

Mais conteúdo sobre:

operação Lava Jato