Delator revela R$ 12 milhões desviados de obras para campanha de Richa

Delator revela R$ 12 milhões desviados de obras para campanha de Richa

Empresário Eduardo Lopes de Souza, dono da construtora Valor, relatou à Procuradoria que valor foi destinado em 2014 à reeleição do tucano ao governo do Paraná por meio de licitações fraudulentas na área da Educação

Luiz Vassallo, Fabio Serapião e Julia Affonso

04 Setembro 2017 | 06h00

Beto Richa. Foto: Estadão

O dono da construtora Valor, Eduardo Lopes de Souza, confessou, em delação premiada, que abasteceu, com R$ 12 milhões desviados de obras em escolas paranaenses, a campanha à reeleição do governador Beto Richa (PSDB), em 2014. Os valores teriam sido operacionalizados pelo ex-diretor da Secretaria de Educação, Maurício Fanini, segundo o executivo.

Alvo da Operação Quadro Negro, que apura desvios na pasta, o empreiteiro confessou crimes à Procuradoria-Geral da República e seu acordo de delação está pendente de homologação junto ao Supremo Tribunal Federal.

De acordo com o dono da Valor, Fanini era responsável por indicar os descontos que ele deveria dar em licitações para construção e reformas de escolas com o fim de ganhar os contratos e realizar pagamento de propinas. Ele revelou, em acordo com a Procuradoria, que parte dos valores desviados abasteceu a campanha de Richa.

“Entre os meses de abril e setembro de 2014, eu repassei o grosso dos valores desviados diretamente para o diretor do Depo Maurício Fanini. Ele disse que, conforme acertado com o governador, parte destes valores ficariam com ele (Fanini) e parte iriam para a campanha do Beto Richa. O Fanini comentou que o ex-deputado eduardo sciarra era o responsável pelo “caixa um” da campanha e que os três principais arrecadadores do “caixa dois” eram o Ezequias Moreira Rodrigues (secretário especial do cerimonial e relações internacionais do governo do estado do paraná), o Luiz Abi Antoum (primo do governador) e o Deonilson Roldo (secretário chefe de gabinete do governador)”, relatou.

O empreiteiro ainda contou que teria perguntado ao ex-agente público se o dinheiro estava mesmo sendo direcionado para a campanha do tucano. Fanini teria dito que repassava ‘parte do dinheiro para o Ezequias Moreira, e parte para o Luiz Abi’.

“Nesse esquema eu entreguei para o Maurício Fanini cerca de R$ 12.000.000,00 desviados das obras da valor na SEED para serem destinados à campanha à reeleição do governador Beto Richa”, alegou.

COM A PALAVRA, BETO RICHA

“O governador Beto Richa classifica as declarações do delator como afirmações mentirosas de um criminoso que busca amenizar a sua pena. Tais ilações sequer foram referendadas pela Justiça. E suas colocações são irresponsáveis e sem provas. O governador afirma que nunca teve qualquer contato com o senhor Eduardo Lopes de Souza e sequer fez ou pediu para alguém fazer qualquer solicitação a essa pessoa para a campanha eleitoral de 2014. Todas as doações eleitorais referentes à eleição de 2014 seguiram a legislação vigente e foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.

O governador lembra ainda que foi a própria Secretaria de Estado da Educação que, em abril de 2015, detectou disparidades em medições de algumas obras de escolas e abriu auditoria interna sobre o caso. De imediato, o governador determinou a demissão de todos os envolvidos. As informações levantadas internamente também foram repassadas à Polícia Civil, Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado para que tomassem as medidas cabíveis. É importante salientar ainda que a Polícia Civil do Paraná investigou e prendeu os suspeitos na denominada Operação Quadro Negro, a qual jamais teve qualquer tipo de informação antecipada.

Cabe lembrar ainda que, conforme despacho do govenador Beto Richa, a construtora Valor e seus responsáveis foram punidos administrativamente pelo Governo do Estado. Nesse despacho do governador, a empresa foi declarada inidônea para participar de licitações com a administração púbica e foi aplicada uma multa de R$ 2.108.609,84.

Seguindo determinação do governador, a Procuradoria Geral do Estado também entrou com ações civis públicas na 1.ª, 4.ª e 5.ª Varas da Fazenda Publica por dano ao erário contra a construtora Valor e pessoas ligadas à empresa, incluindo o senhor Eduardo Lopes de Souza. Os pedidos de indenização pelos danos causados ao Estado somam R$ 41.091.132,80. Há ainda ações de improbidade administrativa contra os envolvidos, que também buscam ressarcimento dos cofres públicos.

Ou seja, todas as medidas cabíveis foram tomadas para reparação e ressarcimento do erário público e punição dos envolvidos”.