Janot afirma que áudio de 4 horas ‘contém indícios de crime’ de Marcelo Miller

Janot afirma que áudio de 4 horas ‘contém indícios de crime’ de Marcelo Miller

Procurador-geral diz que se ex-colega de Ministério Público 'descumpriu a lei, deverá pagar por isso'

Beatriz Bulla e Fábio Serapião, de Brasília

04 Setembro 2017 | 19h47

Rodrigo Janot. Foto: André Dusek/Estadão

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou, nesta segunda-feira, 4, que um áudio de quatro horas gravado ‘aparentemente, por acidente’, pelos delatores da JBS Joesley Batista e Ricardo Saud ‘contém indícios’ relatados pelos executivos, de ‘conduta, em tese, criminosa, do ex-procurador da República Marcelo Miller’. O chefe do Ministério Público Federal submeteu os arquivos ao Supremo Tribunal Federal e pediu abertura de inquérito para investigar o conteúdo do diálogo gravado pelos colaboradores.

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“Tais áudios também contêm indícios, segundo esses dois colaboradores, de conduta , em tese, criminosa, atribuída ao ex-procurador Marcelo Miller”, disse o procurador-geral.

Conversa gravada ‘acidentalmente’ de Joesley e Ricardo Saud leva Janot a abrir investigação

Janot destacou as ‘qualidades técnicas’ de Miller, que atuou no gabinete da Procuradoria-Geral antes de deixar a carreira e trabalhar em um escritório de advocacia que atuou no acordo de leniência da J&F.

“Se descumpriu a lei, deverá pagar por isso”, afirmou Janot.

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O chefe do Ministério Público Federal ainda afirmou que determinou ‘a abertura de investigação para apurar indícios de omissão de informações sobre praticas de crime no processo de negociação para a assinatura de delação para delação da JBS’.

“Não há ninguém que republicanamente esteja a salvo da aplicação da lei. o Ministério Público tem uma mãe, que é a Constituição e a lei. Sob esse manto, atuamos independentemente de quem tenha agido. O Ministério Público Federal atuou na mais absoluta boa dé para a celebração desse acordo. Se ficar provada qualquer ilicitude, o acordo de delação será rescindido. Eventual rescisão do acordo não invalida as provas até então oferecidas”, ressaltou.

COM A PALAVRA, A J&F

Segue a posição oficial da J&F sobre os acontecimentos de hoje.

A defesa dos executivos da J&F junto ao Ministério Público Federal informa que a interpretação precipitada dada ao material entregue pelos próprios executivos à Procuradoria-Geral da República será rapidamente esclarecida, assim que a gravação for melhor examinada.

Conforme declarou a própria PGR, em nota oficial, o diálogo em questão é composto de “meras elucubrações, sem qualquer respaldo fático”. Ou seja, apenas cogitações de hipóteses — não houve uma palavra sequer a comprometer autoridades.

É verdade que ao longo do processo de decisão que levou ao acordo de colaboração, diversos profissionais foram ouvidos — mas em momento algum houve qualquer tipo de contaminação que possa comprometer o ato de boa fé dos colaboradores.