Hospital não encontra visitas de compadre de Lula a Glaucos

Hospital não encontra visitas de compadre de Lula a Glaucos

Em planilha de registros do Sírio Libanês, não há menções ao advogado Roberto Teixeira, apenas ao contador João Leite Muniz como visitante do suposto laranja do ex-presidente;

Luiz Vassallo

11 Outubro 2017 | 19h07

Glaucos da Costamarques. Foto: Reprodução

O hospital Sírio Libanês entregou nesta quarta-feira, 11, ao juiz federal Sérgio Moro, os registros de três visitas do contador João Muniz a Glaucos da Costamarques, em dezembro de 2015. Os documentos foram solicitados pelo magistrado no âmbito de ação que apura se Glaucos foi laranja do ex-presidente Lula no recebimento de supostas propinas da Odebrecht; entre elas, o apartamento vizinho à residência do petista em São Bernardo. Primo de José Carlos Bumlai, amigo do petista, ele diz ter assinado recibos de aluguel em face da ex-primeira-dama Marisa Letícia referentes ao ano de 2015 enquanto esteve internado naquele hospital. Segundo Glaucos, o contador teria ido ao seu encontro para solicitar que rubricasse os documentos após uma visita anterior de Roberto Teixeira, advogado de Lula. O Hospital, no entanto, disse não ter registros de visitas do defensor do petista.

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Documento


Para a força-tarefa da Lava Jato, a Odebrecht custeou a compra do apartamento, em nome de Glaucos da Costamarques, primo do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente. Na mesma ação, ele responde por também ter supostamente recebido da empreiteira terreno onde seria sediado o Instituto Lula, no valor de R$ 12,5 milhões.

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A denúncia da Procuradoria da República sobre o apartamento 121, no edifício Hill House -vizinho à residência de Lula, em São Bernardo do Campo – ainda aponta que propinas pagas pela Odebrecht, no esquema que seria liderado pelo ex-presidente, chegaram a R$ 75 milhões em oito contratos com a Petrobrás.

A Lava Jato afirma que não houve pagamento de aluguel entre fevereiro de 2011 e pelo menos novembro de 2015. Nesta segunda-feira, 25, a defesa do ex-presidente apresentou documentos que contestam a versão dos procuradores.

Glaucos disse ter sido procurado por José Carlos Bumlai ‘no sentido de adquirir um imóvel em um edifício em São Bernardo do Campo – SP, em seu nome, uma vez que não contava com recursos necessários para fazê-lo pessoalmente’. “Como razão primordial, informou a GLAUCOS que precisava atender a um pedido da Sra. Marisa Letícia Lula da Silva, preocupada com o fato de alguém poder interessar-se pelo imóvel, que era localizado no mesmo andar, e em frente, ao apartamento que servia de residência ao ex-presidente e sua esposa, cuja privacidade poderia ser comprometida”

A defesa de Glaucos ainda diz que ‘o primeiro aluguel efetivamente recebido, ocorreu em novembro de 2015; tendo, após, recebido todos os alugueres até atualmente, excetuando-se, ao que se recorda, o aluguel referente a fevereiro de 2017, possivelmente em razão do falecimento da Sra. Marisa Letícia Lula da Silva’.

Os advogados reiteram que, no dia seguinte a uma visita do advogado de Lula, enquanto esteve hospitalizado no Sírio Libanês, em 2015, ele recebeu a o ‘contador João M. Leite, que foi colher as assinaturas nos recibos, referentes’ àquele ano.

O Hospital, no entanto, diz não ter registros de visita do advogado de Lula, Roberto Teixeira, a Glaucos da Costamarques. O Sírio Libanês apresentou a Moro três registros de visitas ao primo de José Carlos Bumlai. Um deles no dia 3 de dezembro de 2015 e outros dois no dia seguinte.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE GLAUCOS

O advogado do engenheiro não atendeu as ligações da reportagem. O espaço está aberto para manifestação.

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