Contador diz que recebeu comprovantes de Glaucos

Contador diz que recebeu comprovantes de Glaucos

Defesa de Lula envia ao juiz federal Sérgio Moro, da Lava Jato, uma declaração de João Muniz Leite na qual ele afirma ter prestado serviço, entre 2010 e 2015, ao engenheiro que a força-tarefa da Operação Lava Jato aponta como 'laranja' do ex-presidente

Julia Affonso, Luiz Vassallo e Ricardo Brandt

11 Outubro 2017 | 17h31

O contador João Muniz Leite afirmou, em declaração por escrito levada ao juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, pela defesa do ex-presidente Lula, que recebeu recibos de pagamento, entre 2011 e 2015, do aluguel do apartamento 121, do edifício Hill House, em São Bernardo do Campo (SP). O imóvel é do engenheiro Glaucos da Costamarques, vizinho ao apartamento em que mora o petista e um dos pivôs de uma ação penal sobre supostas propinas da Odebrecht para Lula.

Além da declaração, a defesa do ex-presidente informou a Moro ter ‘vias originais de todos os documentos já apresentados, além de outros 6 recibos de 2011 que também foram localizados, que serão apresentados para possam, se o caso, serem submetidos à perícia’.

O juiz da Lava Jato havia solicitado que os advogados de Lula informassem se dispunham dos originais.


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‘É a verdade!’

No documento, Muniz Leite afirma que prestou ‘serviços contábeis para o sr. Glaucos da Costamarques no período de 2010 a 2015’.

“Durante esse período, assessorei o sr. Glaucos na elaboração do seu imposto de renda e na emissão de guias para recolhimento de impostos, incluindo-se nestes, o cálculo e elaboração das guias do carnê-leão referentes ao recebimento de aluguéis auferidos pelo mesmo em relação a locação de um apartamento para Dona Marisa Leticia Lula da Silva”, informa o contador. “Para essa finalidade, recebia das mãos do sr. Glaucos, periodicamente, os recibos relativos aos pagamentos dos aluguéis por parte da sra. Marisa Letícia Lula da Silva, de 2011 a 2015, os quais serviam também para dar lastro à declaração de imposto de renda.”

Muniz Leite diz que esteve no Hospital Sírio-Libanês em 2015 ‘para tratar com o sr. Glaucos de alguns assuntos, inclusive dos recibos de aluguéis’.

“Mas não corresponde à verdade que naquela oportunidade eu teria colhido do sr. Glaucos as assinaturas em todos os recibos relativos à locação para a sra. Marisa Letícia Lula da Silva, e sim em apenas alguns meses, que embora tivéssemos os recibos, os mesmos não estavam assinados. De 2011 a 2015 também elaborei as guias relativas ao “carnê-leão” que eram recolhidos mensalmente pelo sr. Glaucos em relação aos recebimentos de locação por parte da sra. Marisa Letícia Lula da Silva”, relata.

Para a Lava Jato, a Odebrecht custeou a compra do apartamento 121, em nome de Glaucos, primo distante do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente. Na mesma ação, Lula responde por também ter supostamente recebido da empreiteira um terreno onde seria sediado o Instituto Lula, no valor de R$ 12,5 milhões.

A Lava Jato afirma que não houve pagamento de aluguel entre fevereiro de 2011 e pelo menos novembro de 2015, do imóvel vizinho ao do petista, em São Bernardo.

No dia 25 de setembro, a defesa do ex-presidente apresentou documentos que contestam a versão dos procuradores. Os advogados do ex-presidente anexaram um contrato da ex-primeira dama Marisa Letícia com Glaucos da Costamarques e recibos de pagamento. Dois dos comprovantes apresentam datas que não existem no calendário. Parte dos documentos ainda apresenta os mesmos erros de ortografia.

O Ministério Público Federal, no Paraná, entrou com um incidente de falsidade, em 4 de outubro, para apurar a autenticidade dos documentos apresentados pela defesa do ex-presidente e cobra os recibos originais. Os procuradores afirmaram que os comprovantes são ‘ideologicamente falsos’ e pediram perícia.

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