Moro dá cinco dias para hospital entregar visitas a Glaucos

Moro dá cinco dias para hospital entregar visitas a Glaucos

Ofício do magistrado foi enviado ao Sírio-Libanês, em São Paulo; engenheiro é apontado como 'laranja' do ex-presidente Lula

Julia Affonso e Ricardo Brandt

04 Outubro 2017 | 16h39

Foto: Reprodução

O juiz federal Sérgio Moro enviou um ofício para o Hospital Sírio-Libanês solicitando, em cinco dias, a apresentação dos registros de visitas ao engenheiro Glaucos da Costamarques. O magistrado quer saber se o advogado Roberto Teixeira, compadre do ex-presidente Lula, e o contador João Muniz Leite estiveram no local.

Documento

Primo de José Carlos Bumlai, amigo de Lula, o engenheiro Glaucos é apontado como ‘laranja’ do petista no suposto recebimento de imóveis pela Odebrecht como forma de propinas.


RELEMBRE O CASO: + Presidência pagou R$ 190 mil de aluguel do apartamento atribuído a Lula

Planilha de ‘contas mensais’ apreendida na casa de Lula não registra aluguel de apartamento

Herdeira de apartamento em nome de primo de Bumlai diz que venda era para Lula

Para a força-tarefa da Lava Jato, a Odebrecht custeou a compra do apartamento 121 do edifício Hill House, em São Bernardo do Campos (SP), em nome de Glaucos da Costamarques. Na mesma ação, o petista responde também por supostamente ter recebido da empreiteira  um terreno onde seria sediado o Instituto Lula, no valor de R$ 12,5 milhões.

A denúncia da Procuradoria da República sobre o apartamento 121 – vizinho à residência de Lula, em São Bernardo do Campo – ainda aponta que propinas pagas pela Odebrecht, no esquema que seria liderado pelo ex-presidente, chegaram a R$ 75 milhões em oito contratos com a Petrobrás.

A Lava Jato afirma que não houve pagamento de aluguel entre fevereiro de 2011 e pelo menos novembro de 2015.

Em 25 de setembro, a defesa do ex-presidente apresentou documentos que contestam a versão dos procuradores. Os comprovantes apresentados referem-se ao período de agosto de 2011 a novembro de 2015. Duas notas têm datas que não existem no calendário: 31 de junho e 31 de novembro.

No dia seguinte, Glaucos da Costamarques reafirmou ao Estadão que é ‘verdadeiro’ o depoimento que prestou ao juiz federal Sérgio Moro.

Em 6 de setembro, Glaucos afirmou em interrogatório perante o juiz federal Sérgio Moro que não recebeu alugueis pelo apartamento 121, mas que declarou à Receita que houve pagamento. “Não recebi”, disse taxativamente.

A Moro, o engenheiro afirmou que passou a receber o aluguel em 2015. Glaucos disse que Roberto Teixeira o procurou em novembro daquele ano quando ele estava hospitalizado.

“O Roberto Teixeira esteve lá no hospital me falando: ‘olha, nós vamos pagar. De hoje em diante, nós vamos pagar o aluguel pra você’. Começaram a pagar. Começaram a pagar com um depósito na conta que eu passei, depósito no Santander. Mas não identificado. Eu acho que eles depositavam naqueles envelopes e aquele envelope tem um limite pra depósito. Acho que eles faziam em três. Então, aparecia lá, era, vamos supor, três mil, vamos por, não lembro quanto era o aluguel naquela época, três mil e trezentos, vamos supor. Eles punham um envelope de dois, um de mil e outro de oitocentos”, narrou.

O juiz da Lava Jato questionou Glaucos se Roberto Teixeira deu alguma explicação para começar a pagar.

“Eu não me recordo. Mas eu lembro que o José Carlos foi preso. Eu entrei no dia 22 de novembro no hospital. Dia 23 ele foi preso. Eu lembro da data por causa do hospital. E ele esteve lá no hospital no fim do mês de novembro”, contou.

COM A PALAVRA, O HOSPITAL SÍRIO-LIBANÊS

O hospital informa que recebeu nesta terça-feira, 3, o ofício da Justiça com a solicitação para apresentar, em prazo de cinco dias, os registros de visitas ao engenheiro Glaucos da Costamarques. O Sírio-Libanês afirma que vai cumprir o prazo estipulado pelo juiz Sérgio Moro.

Mais conteúdo sobre:

operação Lava JatoLulaSérgio Moro